Para encontrar a distribuição exata de T+ sob H0, considere B o número de Zi's positivos (Zi = Xi - θ0) e sejam r1 < ... < rB os ranks (posições) ordenadas dos valores absolutos destes Zi's positivos. Podemos obter a distribuição diretamente da representação
. Sob a hipótese de que as distribuições de cada Zi são todas contínuas, a probabilidade de que os valores absolutos de Zi's sejam iguais ou que algum Zi seja 0 é zero. Além disso, sob H0 as distribuições de todos os Zi's são simétricas em torno de θ = θ0. Portanto, se temos uma amostra de n elementos, temos 2n possibilidades para a configuração (r1, r2, ..., rB) e cada uma delas ocorre com probabilidade (1/2)n. Neste caso, temos que
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onde u(t) é o número de maneiras de atribuir valores para as configurações (r1, r2, ..., rB) de forma que
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Exemplo 1.2.1: Considere o caso em que temos uma amostra de n = 3 elementos.
Neste caso, temos 23 = 8 possíveis configurações para (r1, r2, ..., rB) e os valores associados de T+ são dados na seguinte tabela.
| B | (r1, r2, ..., rB) | Probability under H0 | ![]() |
| 0 | 1/8 | 0 | |
| 1 | r1 = 1 | 1/8 | 1 |
| 1 | r1 = 2 | 1/8 | 2 |
| 1 | r1 = 3 | 1/8 | 3 |
| 2 | r1 = 1, r2 = 2 | 1/8 | 3 |
| 2 | r1 = 1, r2 = 3 | 1/8 | 4 |
| 2 | r1 = 2, r2 = 3 | 1/8 | 5 |
| 3 | r1 = 1, r2 = 2, r3 = 3 | 1/8 | 6 |
Assim, para este exemplo, a probabilidade de T+ ser igual a 3 (P[T+ = 3]) é igual a 2/8 já que o evento T+ = 3 ocorre quando B = 1 (r1 = 3) ou quando B = 2 (r1 = 1, r2 = 2) e cada uma dessas ocorrências ocorre com probabilidade 1/8.
| T+ | Probabilidade sob H0 |
| 0 | 1/8 |
| 1 | 1/8 |
| 2 | 1/8 |
| 3 | 2/8 |
| 4 | 1/8 |
| 5 | 1/8 |
| 6 | 1/8 |
Em um teste de Wilcoxon em que o tamanho amostral n é pequeno (geralmente n < 50) utilizamos a distribuição exata da estatística T+ e, a partir desta distribuição, calculamos os valores críticos do teste, o p-valor e o intervalo de confiança.
1. Cálculo dos valores críticos.
Se estamos realizando um teste bilateral, então devemos encontrar os valores críticos t1 e t2 tais que
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Se o teste é unilateral à direita, então devemos encontrar o valor crítico t tal que
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e se o teste é unilateral à esquerda, então devemos encontrar o valor crítico t tal que
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2. Critério.
Se o teste é bilateral e T+obs < t1 ou T+obs > t2 então rejeitamos H0, caso contrário não rejeitamos H0. Ou seja, se t1 ≤ T+obs ≤ t2, não rejeitamos a hipótese nula H0.
No caso do teste unilateral à direita, se T+ > t, rejeitamos a hipótese H0, caso contrário não rejeitamos H0. Isto é, se T+ ≤ t não rejeitamos a hipótese nula H0.
Se o teste é unilateral à esquerda e T+ < t, rejeitamos a hipótese H0, caso contrário não rejeitamos H0. Isto é, se T+ ≥ t não rejeitamos a hipótese nula H0.
3. Cálculo do p-valor.
Se o teste é bilateral, o p-valor do teste exato é dado por
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Se o teste é unilateral à direita, o p-valor do teste exato é dado por
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e se o teste é unilateral à esquerda, o p-valor do teste exato é dado por
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4. Intervalo de Confiança para o parâmetro de posição.
De forma análoga à estimativa do parâmetro de posição, consideramos as médias (Xi+Xj)/2 entre as observações Xi e Xj tal que i ≤ j. Neste caso, se temos n observações da população, segue que temos M = n(n+1)/2 médias desse tipo.
Sejam W(1), W(2), ..., W(M) os valores ordenados desta médias.
Se o teste é bilateral e o nível de significância é α encontramos os valores L e U tais que
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e o intervalo de confiança 100(1-α)% para o parâmetro de posição θ é então dado por
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Se o teste é unilateral à direita, encontramos o valor L tal que
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e o intervalo de confiança 100(1-α)% para o parâmetro de posição θ é então dado por
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Se o teste é unilateral à esquerda, encontramos os valores L e U tais que
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e o intervalo de confiança 100(1-α)% para o parâmetro de posição θ é então dado por
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Exemplo 1.2.2: Considere a seguinte amostra
| 126 | 142 | 156 | 228 | 245 | 246 |
| 370 | 419 | 433 | 454 | 478 | 503 |
Vamos testar, com um nível de significância α = 0,05, se os dados estão distribuídos simetricamente em torno de θ0 = 220.
clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo
1. Estabelecemos as hipóteses
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já que queremos testar se os dados estão ou não distribuídos simetricamente em torno θ0 = 220.
Como já vimos no Exemplo 1.1, o valor da estatística T+ é dado por T+ = 63.
2. Cálculo dos valores críticos.
Como estamos realizando um teste bilateral, devemos encontrar os valores t1 e t2 tais que
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Neste caso, temos que os valores t1 e t2 são dados por t1 = 14 e t2 = 64. Como t1 = 14 < T+obs = 63 < t2 = 64, então não rejeitamos a hipótese nula de que os dados estão distribuídos simetricamente em torno de θ0 = 220.
3. Cálculo do p-valor.
Como o teste é bilateral, o p-valor do teste exato é dado por
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Temos que n(n+1)/4 = 52 e como T+obs = 63 > 52, segue que
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4. Intervalo de confiança.
Para se calcular o intervalo de confiança, consideramos os valores ordenados das médias (Xi+Xj)/2 com i ≤ j. Estes valores estão calculados na tabela abaixo:
| Médias ordenadas (Xi+Xj)/2 | |||||
| 126 | 134 | 141 | 142 | 149 | 156 |
| 177 | 185 | 185,5 | 186 | 192 | 193,5 |
| 194 | 200,5 | 201 | 228 | 236,5 | 237 |
| 245 | 245,5 | 246 | 248 | 256 | 263 |
| 272,5 | 279,5 | 280,5 | 287,5 | 287,5 | 290 |
| 294,5 | 298 | 299 | 302 | 305 | 307,5 |
| 308 | 310 | 314,5 | 317 | 322,5 | 323,5 |
| 329,5 | 330,5 | 332 | 332,5 | 339 | 339,5 |
| 341 | 349,5 | 350 | 353 | 361,5 | 362 |
| 365,5 | 370 | 374 | 374,5 | 394,5 | 401,5 |
| 412 | 419 | 424 | 426 | 433 | 436,5 |
| 436,5 | 443,5 | 448,5 | 454 | 455,5 | 461 |
| 466 | 468 | 478 | 478,5 | 490,5 | 503 |
Encontramos agora os valores L e U tais que
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Neste caso, temos que L = 14 e U = 64 e o intervalo de confiança com será dado por
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5. Estimador para o parâmetro de posição (pseudo-mediana)
A partir da tabela das médias acima, temos que a quantidade total dessas médias é M = 78 = 2k com k = 39. Neste caso, segue que
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Utilizando o software Action, os resultados são dados a seguir



| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||

![\[P(T^+=t)=\frac{u(t)}{2^n}\]](/sites/default/files/tex/2547296165d6767edd3899a414c3abd7bf80fcc8.png)
![\[\sum_{i=1}^Br_i=t.\]](/sites/default/files/tex/c0dbe12e0394ebbcccf1db7b2139b0c9aa549de3.png)
![\[P[T^+ \ \textless \ t_1] = P[T^+ \ \textgreater \ t_2]\approx \frac{\alpha}{2}.\]](/sites/default/files/tex/06e578bd8c7bc473d74baa3fd729f06f2aef8669.png)
![\[P[T^+ \ \textgreater \ t] \approx \alpha\]](/sites/default/files/tex/938550dd974b7a4a9f3016a7301c34a56b1089bb.png)
![\[P[T^+ \ \textless \ t] \approx \alpha.\]](/sites/default/files/tex/8e154b44a13ec23bad987c28219094ff9ade58b2.png)
![\[P-valor = \left\{\begin{array}{l}2P(T^+ \ \textgreater \ T^+_{obs}-1) \ \hbox{se} \ T^+_{obs} \ \textgreater \ \dfrac{n(n+1)}{4}\\ 2P(T^+\leq T^+_{obs}) \ \hbox{se} \ T^+_{obs} \leq \dfrac{n(n+1)}{4}\end{array}\right.\]](/sites/default/files/tex/054bc23d0fead972441adbafa82598d776f87b74.png)
![\[P-valor=P(T^+ \ \textgreater \ T^+_{obs}-1)\]](/sites/default/files/tex/afd80ba6d2a1ec6506db07029e78875d9d710607.png)
![\[P-valor=P(T^+ \leq \ T^+_{obs}).\]](/sites/default/files/tex/d3ca4fc99bc4dab044abfe4710b563bb15395662.png)
![\[P(T^+ \leq L)\approx \frac{\alpha}{2} \qquad U = \frac{n(n+1)}{2}-L\]](/sites/default/files/tex/37c597277c844c7b62f87920411bde793e9d525a.png)
![\[IC_{1-\alpha}(\theta)=(W^{(L)},W^{(U+1)}).\]](/sites/default/files/tex/e3453ab8455cb04c6ef0284ac170d3a7b6ba1921.png)
![\[P(T^+ \leq L)\approx \alpha\]](/sites/default/files/tex/82d3d04f50f80830b4a20476be3cd645762db19c.png)
![\[IC_{1-\alpha}(\theta)=(W^{(L)},\infty).\]](/sites/default/files/tex/66a7a71743dbe755389b4048abc1102d97e058d7.png)
![\[P(T^+ \leq L)\approx \alpha \qquad U = \frac{n(n+1)}{2}-L\]](/sites/default/files/tex/cc35f5236bea5a0037bd42850ba4b220e84926e6.png)
![\[IC_{1-\alpha}(\theta)=(-\infty,W^{(U+1)}).\]](/sites/default/files/tex/d5802e40d2dfa2edbfc438181997b966f5c88e6c.png)
![\[\left\{\begin{array}{l}H_0: \theta=220\\H_1: \theta\neq 220\end{array}\right.\]](/sites/default/files/tex/7662f48e8c5be3874c8369262c2db4cf2b896a48.png)
![\[P(T^+ \ \textless \ t_1) = P(T^+ \ \textgreater \ t_2)\approx \frac{\alpha}{2}.\]](/sites/default/files/tex/1afa7d64fd6f46162a71b02640cefe3c28650d3e.png)
![\[P-valor = \left\{\begin{array}{l}2P(T^+ \ \textgreater \ T^+_{obs}-1) \ \hbox{se} \ T^+_{obs} \ \textgreater \ \dfrac{n(n+1)}{4}\\ 2P(T^+\leq T^+_{obs}) \ \hbox{se} \ T^+_{obs} \leq \dfrac{n(n+1)}{4}\end{array}\right.\]](/sites/default/files/tex/480076fd21d842849d1a8a4884353b663ce3c226.png)
![\[P-valor = 2P(T^+ \ \textgreater \ T^+_{obs}-1) = 2P(T^+ \ \textgreater \ 62) = 0,06396484.\]](/sites/default/files/tex/a3d249fd59f8e47b624f16663c5c2459f3bbaeb2.png)
![\[P(T^+\leq L)\approx\alpha/2 \qquad U = \frac{n(n+1)}{2}-L.\]](/sites/default/files/tex/deb59e2a534c4f0b32d6d1ece334b29f30e5758a.png)
![\[IC_{1-\alpha}(\theta)=(W^{(14)},W^{(65)})=(200,5;433).\]](/sites/default/files/tex/b4632144d585555fc8a057bbfa652f283377c914.png)
![\[\hat{\theta}=\frac{W^{(k)}+W^{(k+1)}}{2}=\frac{314,5+317}{2}=315,75.\]](/sites/default/files/tex/6adda6d80f85a7e55966dbe3b9f5f2ca4cea94e8.png)