P-valor
O p-valor, também denotado como nível descritivo do teste, é a probabilidade de que a estatística do teste (como variável aleatória) tenha valor extremo em relação ao valor observado (estatística) quando a hipótese H0 é verdadeira.
Para exemplificar a definição de p-valor, considere um teste de hipóteses para a média no qual o valor da estatística é dado por
, ver exemplo 5.1.1.1. As figuras a seguir representam, respectivamente, o p-valor nos casos em que temos um teste de hipóteses bilateral (com rejeição da hipótese nula e sem rejeição da hipótese nula).

A seguir, temos a figura de um teste de hipóteses unilateral para média. Na primeira das figuras, rejeitamos a hipótese nula e na segunda não rejeitamos.

Observe que se o p-valor é menor que o nível de significância proposto (
), o
está na região crítica e portanto, rejeitamos a hipótese nula H0. Por outro lado, se o p-valor é maior que o nível de significância, não rejteitamos a hipótese nula (ver figura acima). Além disso, quanto menor for o p-valor, mais "distante" estamos da hipótese nula H0. Portanto, o p-valor tem mais informações sobre a evidência contra H0 e assim o experimentador tem mais informações para decidir sobre H0 com o nível de significância apropriado.
Também podemos interpretar o p-valor como o menor valor do nível de significância para o qual rejeitamos H0. Desta forma, se o nível de significância (
) proposto para o teste for menor que o p-valor não rejeitamos a hipótese H0.
Em muitas situações, a região de rejeição de um teste de hipótese com nível de significância
apresenta seguinte forma:
Rejeitamos
se e somente se
,
em que W(X) é a estatística do teste apropriada para o problema, e a constante
é escolhida de modo que o teste tenha nível de significância
. Neste caso, o p-valor para o ponto amostral
é definido matematicamente como
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em que
é um parâmetro pertencente ao espaço paramétrico
sob a hipótese nula (H0).
Voltando ao Exemplo 5.1.1.1, vamos calcular o p-valor do teste de médias. No decorrer deste módulo calculamos o p-valor para todos os testes estatísticos clássicos.
Neste caso, como temos um teste bilateral, segue que o p-valor é dado por
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Portanto, podemos concluir que, para qualquer nível de significância maior que 0,0244, temos evidências para rejeitar a hipótese nula.
Detalhes do p-valor
Consideremos
uma região de rejeição com nível de significância
. Para diferentes valores de
, essas regiões podem ser encaixadas no sentido que
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Sob essa situação, além de conseguirmos saber se a hipótese é rejeitada ou não, conseguimos ainda determinar o p-valor, que aqui é definido matematicamente por
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Exemplo: Suponhamos que
é uma variável aleatória com distribuição
, com
conhecido.Consideremos sob
,
e sob
,
,para algum
. Seja
denotado a função densidade de probabilidade da normal padrão e
o quantil
da distribuição normal padrão. Então, a região de rejeição pode ser denotada como
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Dessa maneira, para um valor observado de
dado, o ínfimo sobre todos
em que a última desigualdade se mantém é
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Alternativamente, podemos escrever que o p-valor é
, em que
é o valor obeservado de
. Notemos ainda que sob a hipótese nula,
, a distribuição de
é dada da seguinte maneira:
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pois
é uniformemente distribuído sobre
, portanto
é uniformemente distribuído em
. Esse resulatado segue da transformação integral de probabilidade (probability integral transformation), que garante que :
Se
tem uma função de distribuição contínua
, então
é uniformemente distribuído sobre
.
O Lema a seguir traz uma propriedade geral do p-valor.
Lema: Suponhamos que
tem distribuição de probabilidade
, para algum
. Consideremos
, em que
representa o espaço paramétrico sob a hipótese nula
. Assumimos ainda que as regiões de rejeição satisfazem 
i) Se
![]() |
então a distribuição de
sobre
satisfaz
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Prova: Se
, pela definição do p-valor,
, temos que para todo
,
, o que implica em
Assim, escrevendo
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como
é válido, segue que ![$ P_{\theta}[p\leq u]\leq u. $](/sites/default/files/tex/9b048e446105b4ff2007a2e929e89fa51d69f168.png)
ii) Se, para
,
![]() |
então
![]() |
ou seja,
é uniformemente distribuído sobre
.
Prova: Novamente pela definição do p-valor, temos que se
então
. Dessa forma, segue que
![]() |
Assim, por
temos que
. Do resultado obtido em (i), concluímos que
ou seja,
tem distribuição uniforme
.
Passos para realização do teste de hipóteses
- Estabelecer as hipóteses;
- Determinar o nível de significância do teste (α);
- Determinar a região de rejeição;
- Calcular o p-valor
A seguir, vamos aplicar os conceitos discutidos acima para tratar diversos exemplos de testes de hipóteses.

![$$p(x)=\sup_{\theta \in \Theta_{0}}P_{\theta}[W(X) \geq W(x)],$$](/sites/default/files/tex/56e13e9fd2c9f570c86c7535851d4c28f6cb9caa.png)
![\[P-valor=P[Z \ \textgreater \ |Z_{obs}|]+P[Z \ \textless \ -|Z_{obs}|]= P[Z \ \textgreater \ 2,25]+P[ Z \ \textless -2.25]=0,0122+0,0122=0,0244.\]](/sites/default/files/tex/a99f76d95a700adea5164273bd52da92ab30c65a.png)




![$$P_{0}[p\leq u ]= P_{0}[1-\Phi(\frac{X}{\sigma})\leq u]=P_{0}[\Phi(\frac{X}{\sigma})\geq 1-u]=u,$$](/sites/default/files/tex/01c364754d04a39479a1cff831c4a946bbf2e90d.png)
![$$\sup_{\theta\in \Theta_{0}}P_{\theta}[X \in R_{\alpha}]\leq \alpha~~~\mbox{para todo~~}0\textless\alpha\textless1,~~~(5.1.2.2)$$](/sites/default/files/tex/3937881a6d7fa9241b2f6c29b86873d66a40fbf4.png)
![$$P_{\theta}[p\leq u]\leq u ~~~\mbox{para todo~~}0\leq u\leq1.$$](/sites/default/files/tex/b3dc79cad0969131b61d1af3e5054369143fbee8.png)
![$$\lim_{v\rightarrow u^{+}}P_{\theta}[p\leq u]\leq \lim_{v\rightarrow u^{+}}P_{\theta}[X \in R_{v}],$$](/sites/default/files/tex/78c4dac55198d08dcbfc2ff158c0d207cea7bc45.png)
![$$P_{\theta}[X\in R_{\alpha}]=\alpha~~~\mbox{para todo~~}0\textless\alpha\textless1,~~~(5.1.2.3)$$](/sites/default/files/tex/49c336167161a694d80bb1a73cda8a9279cb07ff.png)
![$$P_{\theta}[p\leq u]=u~~~\mbox{para todo~~}0\leq u\leq1,$$](/sites/default/files/tex/af1291ab74e71e76bcc86a2e0f98f2de7f1974d7.png)
![$$P_{\theta}[p\leq u]\geq P_{\theta}[X\in R_{u}].$$](/sites/default/files/tex/49a4e9ee63e2954db40d205eaae1ce1d81918419.png)