Para cumprir mais adequadamente com a função de predizer quanto dos produtos do processo vão satisfazer às especificações foi criado o índice Cp, chamado Índice de Capacidade Potencial do Processo, que consegue relacionar a variabilidade inerente ao processo com suas especificações.
O índice Cp é definido, quando os dados seguem uma distribuição normal, por
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ou seja,
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em que LSE é o Limite Superior de Engenharia e LIE o Limite Inferior de Engenharia.
Um processo centrado, isto é, μ = (1/2)(LIE + LSE) com uma distribuição (estável) normal e com um Cp = 1 produzirá 0,27% dos itens fora de especificação. Também, para um processo centrado e capaz (Cp = 1), os limites de controle de
e de especificação estão relacionados da seguinte forma
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em que n é o tamanho dos subgrupos racionais no gráfico de controle. Temos assim que, a menos da constante
, os dois limites coincidem para processos com Cp = 1.
O índice Cp é uma medida da capacidade do processo e pode ser estimado por
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Na aplicação do índice Cp deve-se também levar em conta que muitas vezes os processos são avaliados em experimentos de curta duração (PPAP) e realizados sob condições especiais: máquinas novas, matéria-prima especialmente preparada, etc. Estas condições fazem com que as operações de qualificação do processo e as de produção corrente sejam bem diferentes.
Com isso, a maioria das empresas adotam o valor Cp = 1,67 (ou Cp = 1,33) para análises de curto prazo segundo recomendação de Juran e Gryna (1980). Este valor dá certa garantia de que, quando as causas adicionais de variabilidade atuarem, o Cp real do processo seja maior ou igual a 1,00. Baseados no mesmo tipo de argumento, outros autores sugerem um Cp = 1,5 para a fase de qualificação em equipamentos novos.
Um índice utilizado por outros autores e empresas, equivalente ao Cp, é a "Razão de Capacidade" Rc que é definida como o recíproco do Cp. Em porcentagem o Rc é dado por
• Rc = % da especificação usada
• Rc = [6σ/(LSE - LIE)]×100%
• Rc = (1/Cp)×100%
Para Cp = 1,33 temos um valor correspondente de Rc = 75%. Quanto menor o Rc de um processo melhor o seu comportamento.
Para avaliar mais eficientemente a capacidade do processo foi introduzido no Japão o índice Cpk, que leva em conta não somente a variabilidade do processo como também sua localização com respeito aos limites de especificação.
Antes de entrar na análise do índice Cpk consideremos dois outros índices, que juntos com Cp e Cpk revelam diferentes aspectos do processo.
Para especificação unilateral superior definimos
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Analogamente, para especificação unilateral inferior temos
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em que μ é a média do processo.
A relação entre Cp e a dupla (CPI, CPS) é dada por
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Podemos definir também uma generalização para o caso de especificações bilaterais por
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No caso de especificações bilaterais, o índice Cpk permite a avaliação da capacidade do processo na "pior situação possível". Neste sentido, a utilização do Cpk determina a estratégia "mais conservadora". Assim, um processo com Cpk alto oferece garantias de um comportamento satisfatório, enquanto a estabilidade seja mantida.
A relação entre Cp e Cpk é definida por
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em que k é o fator que representa o quanto o processo está centrado
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sendo m = (LSE - LIE)/2 o ponto central da especificação.
Observemos os índices de capacidade na Figura 2.1.1.

Figura 2.1.1: Índices de capacidade do processo.
Estimativa do desvio padrão
A seguir vamos apresentar diversos métodos para estimar o desvio padrão, que é parte fundamental da Capacidade do Processo.
Variabilidade a curto prazo
• Método 1: Tradicionalmente, ao estimar a variabilidade em um gráfico
e R temos
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em que
é a média das amplitudes dos subgrupos e a constante d2 é tabelada no Apêndice.
A seguir são analisadas algumas situações práticas:
- Situação 1: Quando os dados são obtidos via um gráfico
e R a estimativa tradicional (
) não é influenciada pela variabilidade ocorrida entre os subgrupos. - Situação 2: Quando retiramos uma amostra de uma população o desvio padrão amostral (s) é a única forma de estimarmos a variabilidade.
• Método 2: Outra maneira de estimar a variabilidade a curto prazo é definida por
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em que
é a média dos desvios padrão amostral dos subgrupos e c4 uma constante tabelada no Apêndice.
• Método 3: Desvio padrão agrupado
Outro método utilizado para estimarmos a variabilidade a curto prazo. É usado quando as amostras têm subgrupos de tamanhos variáveis, sendo definido por
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em que sp representa o desvio padrão agrupado (Spooled) e é dado por
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sendo
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Podemos também utilizar um fator de correção c4(d) com o objetivo de reduzir o vício da estimativa, com isso temos
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em que
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Os valores de c4(d) podem ser determinados através da relação
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sendo
a função gama.
A seguir apresentamos um exemplo envolvendo os conceitos discutidos.
Exemplo 2.1.1: Consideremos um processo sob controle cujos dados seguem distribuição normal. Para este processo temos as seguintes especificações:
LSE = 10,9 , VN = 10,7 e LIE = 10,5
Vamos supor que a média amostral do processo seja dada por
= 10,662 e
= 0,2, para um amostra com 3 elementos em cada subgrupo.
Vamos calcular a capacidade do processo como discutido acima. Primeiramente calcula-se o desvio padrão
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em que d2 = 1,693 (para n = 3) tabelado no Apêndice.
A pior situação (aquela em que o processo gera a maior porcentagem de defeitos) é avaliada pelo Cpk, ou seja,
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Assim,
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Tratamento de tolerâncias unilaterais
Em alguns casos, temos apenas limites superiores ou inferiores de engenharia. Assim, não temos como calcular o índice Cp. Nestes casos, o manual de CEP (2ª Edição) propõe a seguinte estratégia:
- Apenas limite Superior
- Cpk = CPS;
- Cp não se aplica;
- CPI não se aplica.
- Apenas limite Inferior
- Cpk = CPI;
- Cp não se aplica;
- CPS não se aplica.























