A normalidade dos resíduos é uma suposição essencial para que os resultados do ajuste do modelo de regressão linear sejam confiáveis. Podemos verificar essa suposição por meio do gráfico de Papel de Probabilidade e por meio de testes tais como Shapiro-Wilk, Anderson-Darling e Kolmogorov-Smirnov. Para maiores detalhes, ver Testes de Normalidade no conteúdo de Inferência.
Exemplo 3.1.1
- Motivação 1:
Considerando o ajuste do modelo linear simples para os dados do exemplo na "Motivação 1", vamos fazer o gráfico de Papel de Probabilidade e os testes de Shapiro-Wilk, Anderson-Darling e Kolmogorov-Smirnov para testar a normalidade dos resíduos.
clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo
Solução:
- Papel de Probabilidade
O vetor com os resíduos ordenados em ordem crescente, considerando o ajuste do modelo linear, é dado por
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O vetor com os valores de
é dado por
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em que
para
e
é o quantil da distribuição normal padrão calculado em
. Neste exemplo,
. Assim, desenhando os pontos
,
, obtemos o gráfico de Papel de Probabilidade. Se a suposição de normalidade for adequada, esperamos um comportamento linear dos pontos.
Usando o software Action temos o seguinte resultado:

Figura 3.1.1: Gráfico de Papel de Probabilidade para os resíduos do modelo linear simples ajustado - Motivação 1.
| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||
Como os pontos seguem o comportamento da reta (não estão distantes dela), temos indícios de que os erros são normalmente distribuídos.
Testes de Normalidade
Em relação aos Testes de Normalidade, precisamos encontrar os valores de
e
representa a função de distribuição acumulada empírica dos dados e é dada pela razão entre a posição i e o valor total de resíduos, isto é,
![]() |
representa a função de distribuição acumulada assumida para os dados e seu valor é obtido da tabela da distribuição normal padrão após transformarmos os dados pela relação
![]() |
em que
é a média aritmética e s é o desvio padrão dos resíduos. Na tabela 3.1.1 apresentamos os valores de
e
para os resíduos analisados.
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| -2,82 | 0,028 | 0,05 | 0,022 | 0,028 | -3,587 | -0,028 |
| -2,66 | 0,035 | 0,1 | 0,065 | -0,015 | -3,342 | -0,036 |
| -2,14 | 0,073 | 0,15 | 0,077 | -0,027 | -2,618 | -0,076 |
| -1,14 | 0,219 | 0,2 | -0,019 | 0,069 | -1,517 | -0,248 |
| -0,82 | 0,289 | 0,25 | -0,039 | 0,089 | -1,242 | -0,341 |
| -0,82 | 0,289 | 0,3 | 0,011 | 0,039 | -1,242 | -0,341 |
| -0,14 | 0,462 | 0,35 | -0,112 | 0,162 | -0,772 | -0,620 |
| -0,14 | 0,462 | 0,4 | -0,062 | 0,112 | -0,772 | -0,620 |
| -0,14 | 0,462 | 0,45 | -0,012 | 0,062 | -0,772 | -0,620 |
| 0,02 | 0,505 | 0,5 | -0,005 | 0,055 | -0,682 | -0,704 |
| 0,34 | 0,591 | 0,55 | -0,041 | 0,091 | -0,525 | -0,895 |
| 0,34 | 0,591 | 0,6 | 0,009 | 0,041 | -0,525 | -0,895 |
| 0,34 | 0,591 | 0,65 | 0,059 | -0,009 | -0,525 | -0,895 |
| 0,34 | 0,591 | 0,7 | 0,109 | -0,059 | -0,525 | -0,895 |
| 1,02 | 0,756 | 0,75 | -0,006 | 0,056 | -0,280 | -1,410 |
| 1,02 | 0,756 | 0,8 | 0,044 | 0,006 | -0,280 | -1,410 |
| 1,02 | 0,756 | 0,85 | 0,094 | -0,044 | -0,280 | -1,410 |
| 1,18 | 0,789 | 0,9 | 0,111 | -0,061 | -0,237 | -1,554 |
| 2,18 | 0,931 | 0,95 | 0,019 | 0,031 | -0,072 | -2,670 |
| 3,02 | 0,980 | 1 | 0,020 | 0,030 | -0,020 | -3,90 |
Tabela 3.1.1: Valores para cálculo das estatísticas de teste de Normalidade no exemplo da "Motivação1".
- Kolmogorov-Smirnov
A estatística de teste para o teste de Kolmogorov-Smirnov é dada por
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Considerando
e n = 20, encontramos pela tabela de valores críticos que o valor crítico neste caso é de aproximadamente 0,29. Como Dn = 0,162 < 0,29, não temos evidências para rejeitar a hipótese de normalidade dos resíduos.
- Anderson-Darling
Utilizando a fórmula
no teste de Anderson-Darling no conteúdo de Inferência, temos que
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Assim,
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Para o cálculo do p-valor, precisamos encontrar a estatística de Anderson Darling modificada. Considerando μ e σ desconhecidos, temos que
![]() |
Desta forma, obtemos o p-valor aproximado analisamos a Tabela com quantis e valores da estatística de Anderson Darling. Como
temos que p_valor é maior do que 15%. No R um valor aproximado do p-valor é encontrado por meio de interpolação.
Como p_valor é maior do que 15%, existe forte evidência pelo teste de Anderson-Darling de que os resíduos são normalmente distribuídos.
- Shapiro-Wilk
Para o cálculo da estatística teste de Shapiro-Wilk, precisamos dos valores contidos na Tabela 3.2.1.2, conforme apresentamos no teste de Shapiro-Wilk no conteúdo de Inferência.
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| 1 | 20 | 0,4734 | 3,02 | -2,82 | 2,76 |
| 2 | 19 | 0,3211 | 2,18 | -2,66 | 1,55 |
| 3 | 18 | 0,2565 | 1,18 | -2,14 | 0,85 |
| 4 | 17 | 0,2085 | 1,02 | -1,14 | 0,45 |
| 5 | 16 | 0,1686 | 1,02 | -0,82 | 0,31 |
| 6 | 15 | 0,1334 | 1,02 | -0,82 | 0,25 |
| 7 | 14 | 0,1013 | 0,34 | -0,14 | 0,05 |
| 8 | 13 | 0,0711 | 0,34 | -0,14 | 0,03 |
| 9 | 12 | 0,0422 | 0,34 | -0,14 | 0,02 |
| 10 | 11 | 0,014 | 0,34 | 0,02 |
Tabela 3.1.2: Medidas para o cálculo da estatística de Shapiro-Wilk
A estatística de teste é dada por
![]() |
em que
![]() |
Assim, segue que
![]() |
Como
, em que
é obtido na tabela de valores críticos, dizemos que os resíduos são normalmente distribuídos com nível de significância de 5%.
Usando o software Action temos os seguintes resultados:

| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||
- Motivação 2:
Considerando agora os dados na "Motivação 2", verificamos se os resíduos obtidos pelo ajuste do modelo de regressão linear múltipla segue distribuição normal utilizando o gráfico de Papel de Probabilidade e os testes de normalidade, como citados acima.
clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo
- Papel de Probabilidade
Para o gráfico de Papel de Probabilidade, devemos primeiramente ordenar os resíduos
, encontrar os valores de
e então apresentar no gráfico os pontos
,
Se a suposição de normalidade for adequada, esperamos um comportamento linear dos pontos no gráfico. O vetor com os resíduos ordenados, para os dados na "Motivação 2" é
![]() |
![]() |
Já o vetor com os valores de
é dado por
![]() |
em que
para
e
é o quantil da distribuição normal padrão calculado no ponto
.
Usando o software Action temos o seguinte resultado:

Figura 3.1.2: Gráfico de Papel de Probabilidade para os resíduos do modelo linear simples ajustado - Motivação 2.
| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||
Como os pontos seguem o comportamento da reta (não estão distantes dela), temos indícios de que os erros são normalmente distribuídos.
Testes de Normalidade
Em relação aos testes de normalidade, precisamos obter os valores de
e de
. O primeiro é calculado fazendo a razão entre a posição i e o valor total de resíduos, no caso
(distribuição empírica acumulada). O segundo é encontrado na tabela da distribuição normal padrão, considerando a transformação dos dados dada pela relação
![]() |
em que
é a média aritmética e s é o desvio padrão dos resíduos. Resumimos na tabela 3.1.3 os valores utilizados no cálculo das estatísticas de teste de normalidade.
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| -44,58 | 0,0826 | 0,0714 | -0,0112 | 0,0826 | -2,493 | -0,086 |
| -37,08 | 0,1242 | 0,1428 | 0,0187 | 0,0528 | -2,086 | -0,132 |
| -30,36 | 0,1723 | 0,2143 | 0,0419 | 0,0295 | -1,758 | -0,189 |
| -25 | 0,2181 | 0,2857 | 0,0675 | 0,0038 | -1,5224 | -0,246 |
| -23,23 | 0,2348 | 0,3571 | 0,1223 | -0,0509 | -1,449 | -0,267 |
| -19,87 | 0,268 | 0,4286 | 0,1605 | -0,0891 | -1,316 | -0,312 |
| -11,87 | 0,3558 | 0,5 | 0,1441 | -0,0728 | -1,033 | -0,439 |
| 5,34 | 0,5660 | 0,5714 | 0,0054 | 0,066 | -0,569 | -0,835 |
| 15,47 | 0,685 | 0,6428 | -0,0421 | 0,1136 | -0,378 | -1,155 |
| 15,65 | 0,6869 | 0,7142 | 0,0274 | 0,0441 | -0,376 | -1,161 |
| 24,55 | 0,7776 | 0,7857 | 0,0081 | 0,0634 | -0,251 | -1,503 |
| 30,34 | 0,8275 | 0,8571 | 0,0296 | 0,0418 | -0,189 | -1,757 |
| 37,45 | 0,8781 | 0,9286 | 0,0504 | 0,021 | -0,129 | -2,105 |
| 63,2 | 0,9754 | 1 | 0,0246 | 0,0468 | -0,0249 | -3,705 |
Tabela 3.1.3: Valores para cálculo das estatísticas de teste de Normalidade
- Kolmogorov-Smirnov
Para o teste de Kolmogorov-Smirnov, temos que a estatística de teste é dada por
![]() |
Considerando
e n = 14, encontramos pela tabela de valores críticos que o valor crítico é de aproximadamente 0,34. Como Dn = 0,1605 < 0,34, não temos evidências para rejeitar a hipótese de normalidade dos resíduos.
- Anderson-Darling
Utilizando a fórmula
no teste de Anderson-Darling no conteúdo de Inferência, temos que
![]() |
Assim, segue que
![]() |
Para o cálculo do p-valor, precisamos encontrar a estatística de Anderson Darling modificada. Considerando μ e σ desconhecidos, temos que a estatística modificada é dada por
![]() |
Novamente, para obter o P-valor aproximado analisamos a Tabela com quantis e valores da estatística de Anderson Darling. Como
temos que p_valor é maior do que 15%. No R um valor aproximado do p-valor é obtido fazendo interpolação.
Como p_valor é maior do que 15%, existe forte evidência pelo teste de Anderson-Darling de que os resíduos são normalmente distribuídos.
- Shapiro Wilk
Para o cálculo da estatística de teste, precisamos dos valores contidos na Tabela 3.1.4.
![]() |
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| 1 | 14 | 0,5251 | 63,201 | -44,5841 | 56,59796 |
| 2 | 13 | 0,3318 | 37,4588 | -37,0884 | 24,73476 |
| 3 | 12 | 0,246 | 30,3464 | -30,3643 | 14,93483 |
| 4 | 11 | 0,1802 | 24,5563 | -25,009 | 8,931667 |
| 5 | 10 | 0,124 | 15,6505 | -23,2338 | 4,821653 |
| 6 | 9 | 0,0727 | 15,4769 | -19,8784 | 2,57033 |
| 7 | 8 | 0,024 | 5,3414 | -11,8735 | 0,413158 |
Tabela 3.1.4: Medidas para cálculo da estatística de Shapiro-Wilk da Motivação 2
A estatística do teste de Shapiro-Wilk é dada por
![]() |
em que
![]() |
Assim, temos que
![]() |
Como
, em que
é dada pela tabela de valores críticos, não rejeitamos a suposição de normalidade. Portanto, concluímos que com um nível de significância de 5%, os resíduos são normalmente distribuídos.
Usando o software Action temos os seguintes resultados:

| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||






![\[Z_{(i)}=\dfrac{e_{(i)}-\overline{e}}{s},\]](/sites/default/files/tex/ff05a408702536447f220dda1af942d222e10518.png)







![\[D_n=\max(0,11;0,162)=0,162.\]](/sites/default/files/tex/2ce0863ad457cc1c1a295ebc9466c043192de715.png)
![\[D=\sum_{i=1}^n[(2i-1)\ln(F(e_i))+(2(n-i)+1)\ln(1-F(e_i))]=-408,11.\]](/sites/default/files/tex/095c693b1f1b99b38bc335cbb051d7345c2c6dbc.png)
![\[\displaystyle A^2=-n-\frac{D}{n}=-20-\frac{(-408,11)}{20}=0,405.\]](/sites/default/files/tex/88117dfb55abd4887f7e91a695b144196501f997.png)
![\[A_m^2=A^2\times(1+(0,75/n)+(2,25/n^2))=0,405\times(1+(0,75/20)+(2,25/20^2))=0,405\times 1,043=0,422.\]](/sites/default/files/tex/020fd3d9d0450e9a95fac46a936265486899fb71.png)





![\[W=\dfrac{b^2}{\sum\limits_{i=1}^n(e_i-\bar{e})^2},\]](/sites/default/files/tex/d6d1fbf27e655bae2d091f3db89ddedb6452b133.png)
![\[b=\sum_{i=1}^{n/2}a_{n-i+1}\times (e_{n-i+1}-e_i).\]](/sites/default/files/tex/7f81b4d92361fa272219353b9d80b946e5057780.png)
![\[W=\dfrac{(6,2839)^2}{41,16}=\dfrac{39,4872}{41,16}=0,959.\]](/sites/default/files/tex/2f9ec6bd2c2fc1f3c301c3252f217d27bd2fdd69.png)



![\[Z_{(i)}=\frac{e_{(i)}-\overline{e}}{s},\]](/sites/default/files/tex/ac66eb329f0dd50961dd0d41cab640fd250ab317.png)





![\[D_n=\max(0,1605;0,1136)=0,1605.\]](/sites/default/files/tex/ac70c0601866c211546cd2b29c4276f98b22077b.png)
![\[D=\sum_{i=1}^n[(2i-1)\ln(F(e_i))+(2(n-i)+1)\ln(1-F(e_i))]= -200,3.\]](/sites/default/files/tex/8bda61bf1b410882e9e8cabb46134c3b95350472.png)
![\[\displaystyle A^2=-n-\frac{D}{n}=-14-\frac{(-200,3)}{14}=0,308.\]](/sites/default/files/tex/ec7e3975034b012edaf1c003a1d0534e2f755fac.png)
![\[A_m^2=A^2\times(1+(0,75/n)+(2,25/n^2))=0,308^2\times(1+(0,75/14)+(2,25/14^2))=0,308\times 1,065=0,328.\]](/sites/default/files/tex/b77ee9bc2bf179276ccb77e8cf180246cef2b7cb.png)
![\[W=\frac{b^2}{\sum\limits_{i=1}^n(e_i-\bar{e})^2},\]](/sites/default/files/tex/35a487f20c3b0a97fb6c0669e5c0d6f8bc5d222d.png)
![\[W=\frac{113,0043^2}{13.421,12}=0,9515,\]](/sites/default/files/tex/2183ba2e6b30b0389318d1f7eccd0f05f0b13e35.png)