Para verificar se os resíduos são independentes, podemos utililizar técnicas gráficas e testes. A seguir, temos o diagnóstico de independência por essas duas formas.
3.3.1 Gráfico dos Resíduos versus a Ordem de Coleta
Uma análise gráfica para verificar a hipótese de independência dos resíduos pode ser feita por meio do gráfico dos resíduos versus a ordem da coleta dos dados. Se ao avaliar o gráfico, percebemos uma tendência dos pontos, ou seja, se os pontos tiverem um comportamento que se repete em determinado ponto do gráfico, temos indícios de dependência dos resíduos.
Exemplo 3.3.1.1
Para os dados do exemplo na "Motivação 1", fazer o gráfico dos resíduos do modelo ajustado versus a ordem da coleta e avaliar a suposição de independência dos resíduos.
clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo
Usando o software Action temos o seguinte resultado:

Figura 3.3.1.1: Gráfico dos resíduos versus a ordem da coleta considerando os dados do exemplo na Motivação 1.
| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||
Analisando o gráfico vemos que os pontos não parecem ter uma tendência e por isso temos indícios de independência dos erros.
Exemplo 3.3.1.2
Considerando os dados transformados do exemplo na "Motivação 2", fazer o gráfico dos resíduos do modelo ajustado versus a ordem da coleta e avaliar a suposição de independência dos resíduos.
clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo
Usando o software Action temos o seguinte resultado:

Figura 3.3.1.2: Gráfico dos resíduos versus a ordem da coleta para os dados do exemplo na Motivação 2.
| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||
Novamente, verificamos pelo gráfico que os pontos não parecem ter uma tendência e por isso temos indícios de independência dos erros.
3.3.2 Teste de Durbin-Watson
O teste de Durbin-Watson é utilizado para detectar a presença de autocorrelação (dependência) nos resíduos de uma análise de regressão. Este teste é baseado na suposição de que os erros no modelo de regressão são gerados por um processo autoregressivo de primeira ordem, de acordo com
![]() |
em que
é o termo do erro do modelo na i-ésima observação,
e
(
) é o parâmetro de autocorrelação. Testamos a presença de autocorrelação por meio das hipóteses
![]() |
Sendo
o resíduo associado à i-ésima observação, temos que a estatística do teste de Durbin-Watson é dada por
![]() |
em que
A distribuição de
depende da matriz X. Entretanto, podemos tomar a decisão comparando o valor de
com os valores críticos
e
da Tabela de Durbin-Watson (Tabela 3.3.2.1). Assim,
- se

- se

- se

- se

- se

Quando
temos evidência de uma correlação possitiva. Já quando
, a correlação é negativa. No caso em que não rejeitamos
, temos que não existe autocorrelação, ou seja, os resíduos são independentes. Podemos também tomar a decisão pelo p-valor.
Os valores críticos tabelados apresentados na Tabela 3.3.2.1 são geralmente utilizados para testar
versus
. Desta forma, se para um determinado
utilizarmos os valores da Tabela 3.3.2.1 para testar
versus
, o erro tipo I do teste em questão será
.
| |
Nível de significância | Número de variáveis explicativas | |||||||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | |||||||
| n | ![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
|
| 0,01 | 0,81 | 1,07 | 0,7 | 1,25 | 0,59 | 1,46 | 0,49 | 1,7 | 0,39 | 1,96 | |
| 15 | 0,025 | 0,95 | 1,23 | 0,83 | 1,4 | 0,71 | 1,61 | 0,59 | 1,84 | 0,48 | 2,09 |
| 0,05 | 1,08 | 1,36 | 0,95 | 1,54 | 0,82 | 1,75 | 0,69 | 1,97 | 0,56 | 2,21 | |
| 0,01 | 0,95 | 1,15 | 0,86 | 1,27 | 0,77 | 1,41 | 0,63 | 1,57 | 0,6 | 1,74 | |
| 20 | 0,025 | 1,08 | 1,28 | 0,99 | 1,41 | 0,89 | 1,55 | 0,79 | 1,7 | 0,7 | 1,87 |
| 0,05 | 1,2 | 1,41 | 1,1 | 1,54 | 1 | 1,68 | 0,9 | 1,83 | 0,79 | 1,99 | |
| 0,01 | 1,05 | 1,21 | 0,98 | 1,3 | 0,9 | 1,41 | 0,83 | 1,52 | 0,75 | 1,65 | |
| 25 | 0,025 | 1,13 | 1,34 | 1,1 | 1,43 | 1,02 | 1,54 | 0,94 | 1,65 | 0,86 | 1,77 |
| 0,05 | 1,2 | 1,45 | 1,21 | 1,55 | 1,12 | 1,66 | 1,04 | 1,77 | 0,95 | 1,89 | |
| 0,01 | 1,13 | 1,26 | 1,07 | 1,34 | 1,01 | 1,42 | 0,94 | 1,51 | 0,88 | 1,61 | |
| 30 | 0,025 | 1,25 | 1,38 | 1,18 | 1,46 | 1,12 | 1,54 | 1,05 | 1,63 | 0,98 | 1,73 |
| 0,05 | 1,35 | 1,49 | 1,28 | 1,57 | 1,21 | 1,65 | 1,14 | 1,74 | 1,07 | 1,83 | |
| 0,01 | 1,25 | 1,34 | 1,2 | 1,4 | 1,15 | 1,46 | 1,1 | 1,52 | 1,05 | 1,58 | |
| 40 | 0,025 | 1,35 | 1,45 | 1,3 | 1,51 | 1,25 | 1,57 | 1,2 | 1,63 | 1,15 | 1,69 |
| 0,05 | 1,44 | 1,54 | 1,39 | 1,6 | 1,34 | 1,66 | 1,29 | 1,72 | 1,23 | 1,79 | |
| 0,01 | 1,32 | 1,4 | 1,28 | 1,45 | 1,24 | 1,49 | 1,2 | 1,54 | 1,16 | 1,59 | |
| 50 | 0,025 | 1,42 | 1,5 | 1,38 | 1,54 | 1,34 | 1,59 | 1,3 | 1,64 | 1,26 | 1,69 |
| 0,05 | 1,5 | 1,59 | 1,46 | 1,63 | 1,42 | 1,67 | 1,38 | 1,72 | 1,34 | 1,7 | |
Tabela 3.3.2.1: Valores críticos do teste de Durbin-Watson.
Exemplo 3.3.2.1
Utilizando o teste de Durbin Watson, verificar se os resíduos do modelo ajustado do exemplo na "Motivação 1" são independentes.
clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo
Para calcular a estatística de Durbin Watson, precisamos dos valores da Tabela 3.3.2.2.
![]() |
![]() |
![]() |
|
| -0,14 | - | - | 0,0196 |
| -0,14 | 0 | 0 | 0,0196 |
| -0,14 | 0 | 0 | 0,0196 |
| -1,14 | -1 | 1 | 1,2996 |
| -2,14 | -1 | 1 | 4,5796 |
| 3,02 | 5,16 | 26,62 | 9,1204 |
| 1,02 | -2 | 4 | 1,0404 |
| 0,02 | -1 | 1 | 0,0004 |
| 1,02 | 1 | 1 | 1,0404 |
| 1,02 | 0 | 0 | 1,0404 |
| 1,18 | 0,16 | 0,0256 | 1,3924 |
| -2,82 | -4 | 16 | 7,9524 |
| -0,82 | 2 | 4 | 0,6724 |
| 2,18 | 3 | 9 | 4,7524 |
| -0,82 | -3 | 9 | 0,6724 |
| 0,34 | 1,16 | 1,34 | 0,1156 |
| 0,34 | 0 | 0 | 0,1156 |
| 0,34 | 0 | 0 | 0,1156 |
| -2,66 | -3 | 9 | 7,0756 |
| 0,34 | 3 | 9 | 0,1156 |
| Soma: | 91,99 | 41,16 |
Tabela 3.3.2.2: Medidas para o cálculo da estatística de Durbin-Watson.
A estatística de teste é dada por
![]() |
Para encontrar os valores críticos
e
na Tabela 3.3.2.1, devemos considerar
, em que
é o nível de significância do teste. Para
temos que
. Assim, com
e
variável explicativa, temos que
e
. Como
, não rejeitamos
e portanto, podemos afirmar que com um nível de confiança de 95%, os resíduos são independentes.
Usando o software Action temos os seguintes resultados:

| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||
Exemplo 3.3.2.2
Analogamente ao exemplo 3.3.2.1, vamos testar pelo teste de Durbin Watson se os resíduos do modelo ajustado do exemplo na "Motivação 2" são independentes.
clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo
Para o cálculo da estatística, precisamos dos valores da Tabela 3.3.2.3.
|
|
![]() |
![]() |
![]() |
| 30,3464 | - | - | 920,9 |
| 15,4769 | -14,8695 | 221,1 | 239,53 |
| -30,3643 | -45,8412 | 2101,42 | 921,99 |
| -23,2338 | 7,1305 | 50,84 | 539,81 |
| 5,3414 | 28,5752 | 816,54 | 28,53 |
| -11,8735 | -17,2149 | 296,35 | 140,98 |
| 63,201 | 75,0744 | 5636,17 | 3994,36 |
| -25,009 | -88,2099 | 7780,99 | 625,45 |
| -19,8784 | 5,1305 | 26,32 | 395,15 |
| -37,0884 | -17,2099 | 296,18 | 1375,55 |
| -44,5841 | -7,4958 | 56,19 | 1987,75 |
| 24,5563 | 69,1405 | 4780,4 | 603,01 |
| 37,4588 | 12,9025 | 166,48 | 1403,16 |
| 15,6505 | -21,8083 | 475,6 | 244,94 |
| Soma | 22704,58 | 13421,11 |
Tabela 3.3.2.3: Medidas para o cálculo da estatística de Durbin-Watson
A estatística de teste é dada por
![]() |
Analisando a Tabela 3.3.2.1 vemos que não há valores críticos
e
para
. Desta forma, consideramos os valores aproximados para n=15. Com um nível de significância
e
variáveis explicativas, temos que
e
. Como
, com um nível de significância de 5%, não rejeitamos
. Assim, dizemos que os resíduos são independentes.
Usando o software Action temos os seguintes resultados:

| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||










