Considere uma peça
onde controlamos uma característica da qualidade, por exemplo, o diâmetro. Denotamos por
a probabilidade da peça ser aprovada pelo sistema de medição passa não passa. Na prática, é importante relacionarmos o valor numérico da característica da qualidade da peça (
) com a probabilidade de aceitação da mesma pelo sistema de medição passa não passa. Assim, a peça
é enviada ao laboratório para medição da característica da Qualidade. Na nossa aplicação, a peça
é medida por um relógio comparador com resolução de
, onde subtraímos o LSE de todas as medições, conforme Tabela 4.1.2.2 . De forma geral, tomamos
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para todo
peças. Em particular, o MSA(2002) toma o modelo probito,
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onde
representa a função de distribuição acumulada da distribuição normal padrão e
: representa a média das medições das peças subtraída do LSE com a aplicação do sistema passa não passa (tendência),-
: variância das medições das peças com aplicação do sistema de medição passa não passa.
Assim, podemos definir as grandezas de interesse como os parâmetros tendência (
) e repe-titividade (
), onde
é o número de aplicações do sistema de medição passa não passa em cada peça. Através da expressão (4.1.3.1), temos que
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e
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O manual MSA(2002) propõe que as probabilidades sejam estimadas segundo a expressão (4.1.3.4) e que o método de mínimos quadrados seja aplicado para estimarmos a tendência e a repetitividade.

Figura 4.1.3.1: Estimativa da probabilidade de aceitação da peça versus valor da peça.
Na Figura 4.1.3.1, podemos visualizar o valor da medição da peça (
) com relação às estimativas da probabilidade de aceitação de cada peça. Com estas estimativas, aplicamos o modelos de regressão linear simples para estimarmos os parâmetros de interesse.
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A partir dos resultados de nosso experimento (Tabela 4.1.2.2), obtemos as estimativas para a probabilidade de aceitação da peça
e para o quantil associado
conforme Tabela 4.1.3.1.
| Peça | ![]() |
Aprovação | Total | ![]() |
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| 1 | -0,06 | 20 | 20 | 0,975 | 1,959 |
| 2 | -0,05 | 20 | 20 | 0,975 | 1,959 |
| 3 | -0,03 | 20 | 20 | 0,975 | 1,959 |
| 4 | -0,02 | 8 | 20 | 0,425 | -0,189 |
| 5 | 0 | 5 | 20 | 0,275 | -0,597 |
| 6 | 0,01 | 3 | 20 | 0,175 | -0,934 |
| 7 | 0,03 | 0 | 20 | 0,025 | -1,959 |
| 8 | 0,05 | 0 | 20 | 0,025 | -1,959 |
Tabela 4.1.3.1: Dados observados versus quantis da distribuição Normal.
As estimativas de mínimos quadrados são dadas por,
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Com isso, concluímos que a estimativa da tendência do sistema de medição passa não passa é dada por
. Além disso, a repetitividade do sistema de medição passa não passa é dada por:
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Apesar da estimativa da tendência ser pequena em relação à tolerância
, obtemos que a repetitividade é alta.

Figura 4.1.3.2: Regressão ajustada =
.
Um ponto importante para análise consiste em testarmos se a tendência do sistema de medição passa não passa é significativa do ponto de vista estatístico. Para isto, o manual MSA(2002) propõe um teste para avaliarmos a tendência,
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A estatística do teste proposta pelo MSA (2002) é dada por, sob
,
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Na aplicação, obtemos p-valor de 0,007472 e com isso, rejeitamos
para
. Portanto o sistema de medição passa não passa apresenta uma tendência significativa de -0,008 mm. Para uma tolerância ( Tol = LSE - LIE = 9,7 - 9,3 = 0,4 mm) de 0,4 mm concluímos que a tendência representa 2%. Em geral, uma tendência desta ordem ( 2% da tolerância ) não incomoda. No nosso exemplo, esta tendência foi detectada devido às características metrológicas do sistema de medição que mediu as peças ( resolução de 0,01 mm e incerteza e 0,006 mm ).
A partir da expressão (4.1.3.1) calculamos a estimativa da probabilidade do sistema de medição passa não passa aprovar a peça. Assim, considerando
, temos que:
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A Figura 4.1.3.3 apresenta os resultados das estimativas da probabilidade do sistema de medição passa não passa aprovar peças para diferentes valores da característica da qualidade destas peças. Na seqüência, apresentamos o gráfico (Figura 4.1.3.4) para que possamos visualizar a probabilidade de aceitação em função do valor da característica da qualidade da peça, em nosso exemplo do seu diâmetro. Este gráfico é importante para que o grupo de engenharia possa avaliar a faixa de valores do diâmetro da peça onde o sistema de medição passa não passa possa cometer erros de classificação.

Figura 4.1.3.3: Dados observados versus probabilidade da peça ser aprovada.

Figura 4.1.3.4: Probabilidade da peça ser aprovada versus característica da qualidade.
Exemplo 4.1.3.1
Um dispositivo de medição por atributo está sendo usado para medir uma dimensão que tem tolerância de
. O Dispositivo de medição é usado em inspeção automática 100%, de fim de linha, e é afetado pela repetitividade e tendência. Para fazer o estudo de dispositivo de medição de atributo, 8 peças com medidas padrão em intervalos de 0,002 e -0,016 a -0,002 são passadas pelo dispositivo de medição 20 vezes cada. Os números de aceitações para cada peça estão na Tabela 4.1.3.1:
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Aprovação |
| -0,016 | 0 |
| -0,014 | 3 |
| -0,012 | 8 |
| -0,01 | 20 |
| -0,008 | 20 |
| -0,006 | 20 |
| -0,004 | 20 |
| -0,002 | 20 |
Tabela 4.1.3.2: Dados do experimento
Uma vez que existem dois valores de referência com
, no mínimo quatro peças a mais devem ser encontradas. Conseqüentemente, é necessário passar peças com valores de referência nos pontos médios dos intervalos existentes. Estes valores de referência e os números de aceitação estão mostrados na Tabela 4.1.3.3:
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Aprovação |
| -0,015 | 1 |
| -0,013 | 8 |
| -0,011 | 16 |
Tabela 4.1.3.3: Continuação dos dados do experimento.
Agora nós temos cinco valores de referência com
. O procedimento exige que mais de uma peça seja encontrada com
. Conseqüentemente, a seguinte peça mostrada na Tabela 4.1.3.4 é avaliada:
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Aprovação |
| -0,0105 | 18 |
Tabela 4.1.3.4: Peça avaliada.
Ressaltamos que essas medidas estão dispostas ao redor do Limite Inferior. Por exemplo:

Figura 4.1.3.5: Classificação das peças no sistema de medição passa - não passa.
Agora que os critérios de coleta dos dados foram satisfeitos, calculamos
e
, conforme Tabela 4.1.3.5.
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Aprovação | Total | ![]() |
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| -0,016 | 0 | 20 | 0,025 | -1,959 |
| -0,015 | 1 | 20 | 0,075 | -1,439 |
| -0,014 | 3 | 20 | 0,175 | -0,934 |
| -0,013 | 5 | 20 | 0,275 | -0,597 |
| -0,012 | 8 | 20 | 0,425 | -0,189 |
| -0,011 | 16 | 20 | 0,775 | 0,755 |
| -0,0105 | 18 | 20 | 0,875 | 1,150 |
| -0,01 | 20 | 20 | 0,975 | 1,959 |
| -0,008 | 20 | 20 | 0,975 | 1,959 |
Tabela 4.1.3.5: Cálculos.
Traçando o gráfico de regressão, de
com relação a
, temos que:

Figura 4.1.3.6: Regressão ajustada =
.
Portanto a equação é:
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Assim:
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Para determinar a repetitividade, precisamos encontrar o valor correspondente a:
e
, logo temos
Para
:
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Para
:
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Deste modo:
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Ou ainda,
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Para verificar se a tendência é significativa, fazemos:
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Como
, então rejeitamos a hipótese nula, ou seja, a tendência é diferente de zero.
Considerando
a probabilidade do dispositivo de medição aprovar a peça é dada por
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A Figura apresenta o resultado da probabilidade do dispositivo de medição aprovar a peça para valores
da variável
.

Figura 4.1.3.7: Resultados.
Tomando-se os dados da Figura 4.1.3.7 temos o gráfico valores de referência versus a probabilidade da peça ser aprovada, conforme Figura 4.1.3.8:

Figura 4.1.3.8: Gráfico Valores de referência versus a probabilidade da peça ser aprovada.





























