1 - Introdução

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Antes de iniciarmos a discussão do assunto gostaríamos de fazer uma pequena reflexão, respondendo à seguinte pergunta:

O aparelho de televisão da sua casa é confiável?

Tivemos a oportunidade de fazer esta pergunta a diversas pessoas e as respostas foram mais ou menos do gênero:

"Acredito que sim, comprei-o faz uns 10 anos e ele nunca apresentou qualquer problema", ou
"Sim, ele funciona bem há mais de 8 anos", ou ainda
"Não, ele já apresentou tantos problemas que não compro mais nenhum produto da mesma marca!".

Evidentemente, usuários diferentes podem ter não só expectativas diferentes com relação à durabilidade de um produto, como podem ter também opiniões diferentes a respeito do que seja bom funcionamento. Apesar disso, todos eles são familiarizados, mesmo que inconscientemente, com o conceito de confiabilidade, sobretudo quando se refere à produtos de uso doméstico tais como aparelhos de televisão, computadores ou automóveis.

De maneira geral, a noção de confiabilidade está intuitivamente associada ao grau de certeza que se tem no bom funcionamento de um produto durante um longo período de tempo. Entretanto, definindo desta forma, o conceito apresenta uma dificuldade de ordem prática. Do ponto de vista da engenharia por exemplo, seria importante poder garantir a confiabilidade de um produto ou a sua melhoria. Esta tarefa, contudo, só seria viável se este grau de certeza pudesse ser medido de alguma forma aceitável.

Com o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias, sobretudo na produção de sistemas militares complexos, foi aumentando a pressão para que essas questões de ordem prática fossem resolvidas. Os esforços nesse sentido resultaram no desenvolvimento de métodos probabilísticos e estatísticos para o tratamento prático das questões industriais relacionadas à confiabilidade, característica que passou a ser expressa formalmente através da seguinte definição:

"Reliability is the probability of a product performing its intended function for its specified life, under specified operating conditions, in a manner which meets or exceeds customer expectations."

Com o objetivo de facilitar o entendimento e a aplicação prática desta definição, três aspectos precisam ficar claros:

O que se entende por um bom funcionamento do produto?
Por quanto tempo espera-se que o produto funcione bem?
Quais são as condições de uso nas quais o produto deve funcionar bem?
Quais são as necessidades e expectativas dos clientes?

O bom funcionamento de um produto é caracterizado pela qualidade de execuções das funções para as quais o mesmo foi projetado e desenvolvido. A partir da definição do critério de bom funcionamento do produto derivam-se o critério de falha e funcionamento degradado do produto que se referem, respectivamente, à incapacidade total ou parcial de executar funções.

É óbvio que devido à ação de agentes tais como temperatura, umidade, salinidade entre outros, todo produto irá falhar ou funcionar de forma degradada a partir de algum instante. Por esta razão a confiabilidade refere-se ao bom funcionamento do produto durante um período de tempo bem definido.

É importante ressaltar que em virtude do desgaste ou envelhecimento natural de um produto, o critério de bom funcionamento do mesmo pode mudar com o decorrer do tempo.

A consideração das condições de uso é também de importância fundamental. Todo produto é projetado e desenvolvido para ser utilizado sob condições específicas, que podem envolver tanto aspectos de natureza ambiental quanto aspectos de natureza operacional.

Enfim, confiabilidade é uma medida da capacidade de um produto funcionar bem durante um período de tempo especificado, sob condições de uso pré-estabelecidas. O caráter probabilístico da definição permite ainda que se dê à confiabilidade um tratamento formal através de métodos estatísticos.

 

Confiabilidade e Qualidade

 

Sob diversos aspectos a confiabilidade de um produto tem impacto na satisfação do consumidor. A compra de um produto mais confiável poderá, por exemplo, resultar em um custo total de utilização menor. Um produto menos confiável necessitará intervenções mais frequentes para manutenção, cujos gastos poderão anular a vantagem inicial de um custo de aquisição mais baixo. O produto em manutenção poderá ainda acarretar prejuízos significativos para o usuário e disto resultar perda de faturamento.

Por outro lado, para muitos produtos, como por exemplo automóveis, a confiabilidade depende de cuidados especiais com sua conservação ou manutenção. Esses cuidados fazem parte das condições de uso especificadas em projeto e não podem, portanto, deixar de ser observadas. Produtores de bens desse tipo devem, portanto, garantir ao consumidor condições que o permitam atender a essas exigências sem que isso acabe se tornando um problema.

Um outro aspecto importante é o da segurança. A falha do sistema de freio de um avião, por exemplo, pode colocar em risco a vida dos passageiros. Assim, quanto maior a confiabilidade do sistema de freio, maior a confiabilidade do avião.

Para exemplificar o que já discutimos em relação à confiabilidade e qualidade observemos o diagrama a seguir.

 

Confiabilidade

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