Seja qual for o tipo do gráfico que se vai utilizar, é necessário que executem uma série de etapas preparatórias para a sua aplicação:
- Conscientização e treinamento das pessoas envolvidas no processo.
- Correta definição do processo (mapeamento do processo).
- Análise para escolha das características de qualidade mais significativas, com foco no cliente. A aplicação do gráfico de Pareto pode ter grande utilidade nessa etapa.
- Definição e análise do sistema de medição (unidades, instrumentos, grau de precisão das medidas, método para efetuar as medidas, etc).
- Escolha da fase do processo onde serão efetuados os registros, a fim de obter informações que permitam, no caso em que causas especiais sejam detectadas, sua imediata e efetiva correção para evitar os itens defeituosos.
Uma vez efetuada a fase preparatória, a elaboração dos gráficos deve obedecer os seguintes passos:
- Escolha do tipo de gráfico;
- Coleta de dados;
- Indicação do estado do processo e sua performance;
- Determinação da capacidade do processo, depois de se ter atingido o estado de controle;
- Ações para melhoria do processo.
Os tópicos seguintes descrevem cada um dos itens acima.
- Escolha do tipo do gráfico
Em princípio, o tipo gráfico a ser selecionado depende da característica da qualidade a ser controlada. Sendo esta uma característica contínua (peso, dimensão, concentração, etc) os gráficos para valores individuais ou os
e
(ou
e
) poderão ser utilizados. Muitas vezes instrumentos passa/não passa são utilizados, o que produz uma discretização das características contínuas, permitindo assim a utilização de gráficos p (ou np).
- Coleta de dados - subgrupos racionais
Para proceder a coleta de dados é necessário escolher o tamanho de cada amostra e a freqüência de amostragem, também denominada subgrupo racional, assim como a quantidade de subgrupos racionais. Na amostragem é fundamental escolher as amostras que representem subgrupos de itens que sejam os mais homogêneos possíveis, visando exaltar diferenças entre grupos.
" É muito importante na aplicação dos gráficos de controle escolher de forma cuidadosa os subgrupos racionais."
Algumas considerações a respeito do tamanho dos subgrupos para os gráficos
e
ou
e
são:
- Os subgrupos devem ter o menor tamanho possível de forma que as suas médias não mascarem as mudanças.
- Subgrupos de tamanho 4 ou 5 detectam mudanças no processo mais rapidamente que subgrupos maiores.
- Subgrupos de 4 ou 5 ítens são ótimos (ou quase) se as causas especiais produzem mudanças de 2σ (2 sigma) ou mais no nível geral do processo. Caso as mudanças sejam pequenas (1σ ou menos) será necessário, para detectá-las, escolher subgrupos maiores (de 15 ou 20 itens). Aplicação de ferramentas como CUSUM propiciam uma análise de pequenas variações.
Muitas vezes, para que possamos determinar adequadamente os subgrupos racionais, podemos utilizar o diagrama de causa e efeito ou mesmo o FMEA de processo.
- Escolha dos limites de controle
A escolha dos limites de controle é uma decisão a ser tomada com base, essencialmente, em critérios econômicos. O uso dos limites 3σ (3 sigma) está bastante generalizado, mas existem situações onde é necessário aplicar outros critérios.
- Cálculo da linha central e dos limites de controle
O cálculo dos limites de controle e da linha central será considerado caso a caso, para cada tipo de gráfico e suas possíveis variantes.
- Indicação do estado do processo
Quando os dados são registrados e comparados com os limites de controle, pontos fora (dentro) destes limites indicarão que o processo está "fora de controle" ("sob controle") estatístico. Depois que ações (geralmente locais) foram tomadas, mais observações são coletadas e, se necessário, os limites são recalculados para estudar a presença de outras eventuais causas especiais de variação.
- Determinação da capacidade do processo
Os limites de controle não são limites de especificação, mas refletem a variabilidade natural do processo, funcionando somente como indicadores de causas especiais de variação. Depois que as causas especiais são eliminadas a capacidade do processo poderá ser avaliada.
Na Figura 3.1 exemplificamos os limites de controle e a linha central para o gráfico
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Figura 3.1: Limites de controle e linha central para o gráfico
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