Neste módulo, apresentamos uma estratégia para avaliar a estabilidade de sistemas de medição não replicáveis. A seguir, apresentamos a técnica da divisão de amostras.
Diretrizes
- Processo de produção sob controle estatístico;
- A peça não degrada durante o tempo de realização do experimento;
- Disponibilidade de um grande número de peças;
- Caso seja possível, utilizar padrões de referência que sejam representativos do processo, ao invés de peças;
Métodos de análise:
1º Passo:
Para a realização deste ensio será necessária a utilização de uma grande quantidade de peças (50 ou mais) cujas características como matéria-prima utilizada, máquina que as produziu, temperatura do processo e operador sejam as mais uniformes possíveis.
2º Passo:
Selecionamos, aproximadamente, metade das peças e as medimos na sequência e em um pequeno período de tempo. Nosso objetivo é determinar a variação de curto prazo do sistema de medição. Através destas medições elaboramos o gráfico de CEP I-MR, sendo I os valores individuais e MR as amplitudes móveis - com o qual verificamos, a variabilidade do processo. Os limites de controle destes gráficos são calculados de acordo com a Tabela 3.1.1.
3º Passo:
As peças restantes são medidas periodicamente (diário, semanal, mensal), em seqüência, e se possível em horários diferentes nos casos em que se acredita que esta condição possa ser relevante para se avaliar a estabilidade. Na sequência, elaboramos o gráfico I-MR com os mesmos límites de controle obtidos no passo 2. Se todos os pontos estiverem dentro dos limites de controle concluímos que o processo está estável.
Esta técnica compara a variação de curto prazo (passo 2), no qual as medições são realizadas na sequência e em um pequeno período de tempo, com a variação de longo prazo (passo 3), no qual as medições são realizadas a longo do tempo. Se as variações de curto prazo e longo prazo são similares, concluímos que o sistema é estável.
| Limites dos Gráficos |
No de leituras agrupadas (n) |
E2 | D3 | D4 |
| Gráfico dos Val. Individuais (I) | 2 | 2,66 | 0 | 3,267 |
LSC = Limite Superior = + E2 |
3 | 1,77 | 0 | 2,574 |
LC = Limite Central = |
4 | 1,46 | 0 | 2,282 |
LIC = Limite Inferior = -E2 |
5 | 1,29 | 0 | 2,114 |
| Gráfico das Amplitudes R | 6 | 1,18 | 0 | 2,004 |
LSC = Limite Superior = D4 |
7 | 1,11 | 0,076 | 1,924 |
LC = Limite Central = |
8 | 1,05 | 0,136 | 1,864 |
LIC = Limite Inferior = D3 |
9 | 1,01 | 0,184 | 1,816 |
| 10 | 0,98 | 0,223 | 1,777 |
Tabela 3.1.1: Valores de E2, D3 e D4
Exemplo 3.1.1
- Considere a característica resistência à tração realizada com corpos-de-prova de aço.
Objetivo:
Estudar a estabilidade do sistema de medição de tração.
Descrição do Experimento:
- Produzir um lote de corpos de prova bastante homogêneo (mesma corrida);
- Os corpos de prova não degradam durante o tempo de realização do experimento;
- Disponibilidade de um grande número de corpos de prova.
1o Passo:
Para a realização do experimento utilizamos 32 corpos de prova cujas características como matéria-prima utilizada, máquina que as produziu, processo e avaliador sejam as mais uniformes possíveis.
2o Passo:
Utilizando 16 corpos de prova (metade do lote), realizamos um estudo de estabilidade do processo I-MR com o qual verificamos, através dos limites de controle, a variabilidade do processo. Estes 16 corpos de prova são medidos no mesmo dia (Tabela 3.1.2).
3o Passo:
As 16 peças restantes são medidas periodicamente (semanal) em horários diferentes (Tabela 3.1.3). Como critério para a avaliação da estabilidade utilizamos a análise do gráfico de controle I-MR, com os mesmos limites de controle obtidos no 2º passo.
1. Resistência a tração (MPA)
- Medição de 16 corpos de prova, realizadas no mesmo dia (Passo 2);
- Avaliador: A
- Máquina: Amsler
- Corrida: 0782697
- Data: 26/02/03
Para os dados da Tabela 3.1.2, obtemos os valores da média e da amplitude média como
= 1160,625
= 22,533
Tabela 3.1.2: Medições do mesmo dia
| Leituras | |
| 1164 | 1135 |
| 1171 | 1195 |
| 1181 | 1164 |
| 1155 | 1161 |
| 1159 | 1151 |
| 1119 | 1171 |
| 1119 | 1193 |
| 1166 | 1166 |
clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo
Com isso, obtemos os limites de controle para as medições individuais como
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e os limites de controle para a amplitude como
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sendo os valores de E2, D3 e D4 obtidos da Tabela 3.1.2 com n = 2.
Abaixo, apresentamos os gráficos de valores individuais e amplitudes móveis para as peças que foram medidas no mesmo dia:
Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar:
| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||
A estimativa do desvio padrão de curto prazo é dada por
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em que o valor de d2 é obtido pela Tabela de d2 com g > 15 (número de amplitudes para calcular
) e m = 2 (número de medidas utilizadas para calcular cada amplitude).
Portanto, temos que o desvio padrão estimado é dado por
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No passo 3, os 16 corpos de prova restantes são medidos semanalmente, com os resultados apresentados na Tabela 22.
- Medição de 16 corpos de prova, realizadas semanalmente (Passo 3);
- Avaliador: A
- Máquina : Amsler
- Corrida: 0782697
Abaixo, apresentamos os gráficos de valores individuais e amplitudes móveis para as peças que foram medidas ao longo do tempo:
Tabela 3.1.3: Tabela com as 16 medições restantes
| Data | Horário | Resistência |
| 07/03/2003 | 10:30 | 1117 |
| 14/03/2003 | 15:35 | 1152 |
| 19/03/2003 | 12:35 | 1182 |
| 25/03/2003 | 08:25 | 1206 |
| 01/04/2003 | 10:45 | 1195 |
| 10/04/2003 | 07:35 | 1175 |
| 17/04/2003 | 08:55 | 1171 |
| 25/04/2003 | 11:05 | 1161 |
| 30/04/2003 | 09:05 | 1137 |
| 05/05/2003 | 13:00 | 1182 |
| 12/05/2003 | 14:20 | 1153 |
| 21/05/2003 | 12:50 | 1188 |
| 29/05/2003 | 09:10 | 1168 |
| 05/06/2003 | 09:35 | 1141 |
| 09/06/2003 | 11:00 | 1177 |
| 11/06/2003 | 09:00 | 1142 |
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Utilizando os mesmos limites de controle dos gráfico de valores individuais e amplitudes móveis com as medições do mesmo dia (16 corpos de prova), montamos o gráfico de valores individuais e amplitudes móveis para as medições realizadas semanalmente, conforme Figura 15.

Figura 3.1.1: Gráfico de valores individuais e amplitude móveis,
= 1160;625 e
= 19;97.
Conclusão: Ao analisar o gráfico das amplitudes móveis, observamos que não há nenhum ponto fora dos limites de controle, o mesmo acontecendo para o gráfico de valores individuais. Assim, concluímos que o sistema de medição está estável com relação à resistência à tração.
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