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5.2 - Teste para média

Considere uma população da qual retiramos uma amostra X1, X2, ..., Xn. Estamos interessados em realizar inferência sobre a média populacional μ.

 

Se não conhecemos o valor do desvio padrão populacional σ e a amostra é pequena, n < 30, devemos subtituir a expressão

\[Z=\frac{\overline{X}-\mu_0}{\frac{\sigma}{\sqrt{n}}}\]

pela expressão

\[T=\frac{\overline{X}-\mu_0}{\frac{s}{\sqrt{n}}}\]

onde T tem distribuição t de Student com n-1 graus de liberdade. Para facilitar a execução do teste, podemos seguir os passos:

1. Estabelecer as hipóteses:

Fixamos H0: μ = μ0. Dependendo da informação que fornece o problema que estivermos estudando, a hipótese alternativa pode ter uma das três formas abaixo:

  • H1: μ ≠ μ0 (teste bilateral);
  • H1: μ > μ0 (teste unilateral à direita);
  • H1: μ < μ0 (teste unilateral à esquerda).

2. Fixar o nível de significância α.

3. Determinar a região crítica.

  • Se o teste é bilateral, determinamos os pontos críticos $ -t_{\alpha/2} $ e $ t_{\alpha/2} $ tais que $ P[t \ \textgreater \ t_{\alpha/2}]=P[t \ \textless -t_{\alpha/2}]=\alpha/2 $ a partir da distribuição t de Student com n-1 graus de liberdade.

  • Se o teste é unilateral, determinamos o ponto crítico $ t_{\alpha} $ tal que $ P[t \ \textgreater \ t_{\alpha}]=\alpha $.

  • Se o teste é unilateral à esquerda, determinamos o ponto $ -t_{\alpha} $ tal que $ P[t \ \textless \ -t_{\alpha}]=\alpha $

4. Calcular, sob a hipótese nula, o valor:

\[T_{obs}=\frac{\overline{x}-\mu_0}{\frac{s}{\sqrt{n}}}\]

onde

  • $ \overline{x} $: valor da média amostral.
  • μ0: valor da média populacional sob a hipótese nula.
  • s: valor do desvio padrão amostral.
  • n: tamanho da amostra.

5. Critério: 

  • Teste bilateral: se $ T_{obs} \ \textgreater \ t_{\alpha/2} $ ou se $ T_{obs} \ \textless \ -t_{-\alpha/2} $, rejeitamos H0. Caso contrário, aceitamos H0.
  • Teste unilateral à direita: se $ T_{obs} \ \textgreater t_{\alpha} $, rejeitamos H0. Caso contrário, aceitamos H0.
  • Teste unilateral à esquerda: se $ T_{obs} \ \textless \ -t_{\alpha} $, rejeitamos H0. Caso contrário, aceitamos H0.

6. O p-valor no teste bilateral é dado por 

\[\hbox{P-valor} \ = P[|t| \ \textgreater \ |T_{obs}||H_0]=2P[t \ \textgreater \ |T_{obs}| | H_0].\]

 

Se o teste é unilateral à direita, o p-valor é dado por 

\[\hbox{P-valor} \ = P[t \ \textgreater T_{obs}|H_0]\]

e, se o teste é unilateral à esquerda, o p-valor é dado por

\[\hbox{P-valor} \ = P[t \ \textless T_{obs}|H_0].\]

 

7. Como vimos na Seção 4.1.2 o intervalo de confiança é dado por

\[IC(\mu,1-\alpha)=\left(\overline{X}-t_{\alpha/2}\frac{s}{\sqrt{n}};\overline{X}+t_{\alpha/2}\frac{s}{\sqrt{n}}\right)\]

se o teste é bilateral. Se o teste é unilateral à direita, então o intervalo de confiança para o parâmetro μ é dado por

\[IC(\mu,1-\alpha)=\left(\overline{X}-t_{\alpha}\frac{s}{\sqrt{n}};\infty\right)\]

e, se o teste é unilateral à esquerda, então o intervalo de confiança para o parâmetro μ é dado por

\[IC(\mu,1-\alpha)=\left(-\infty;\overline{X}+t_{\alpha}\frac{s}{\sqrt{n}}\right).\]

8. O Erro do tipo II é cometido ao aceitar H0 quando esta é falsa (H1 é verdadeira).

\[P[\hbox{erro do tipo II}]=P[\hbox{Aceitar} \ H_0 | H_1 \ \hbox{é verdadeira}]=\beta.\]

Para isto, suponha que a hipótese nula é falsa e que o verdadeiro valor da média é μ = μ0 + δ. Então, a estatística do teste é

\[T_0=\frac{\overline{X}-\mu_0}{S/\sqrt{n}}=\frac{\overline{X}-(\mu_0+\delta)+\delta}{s/\sqrt{n}}.\]

que pode ser escrita na forma

\[T_0=\frac{\overline{X}-\mu_0}{s/\sqrt{n}}=\frac{\frac{\overline{X}-(\mu_0+\delta)+\delta}{\sigma/\sqrt{n}}}{\sqrt{\frac{(n-1)s^2}{\sigma^2(n-1)}}}.\]

Como

\[\frac{\overline{X}-(\mu_0+\delta)+\delta)}{\sigma/\sqrt{n}}\sim N\left(\frac{\delta}{\sigma/\sqrt{n}},1\right) \quad \hbox{e} \quad \frac{(n-1)s^2}{\sigma^2}\sim\chi_{n-1}^2\]

segue que T0 tem distribuição t não central com parâmetro de não-centralidade $ \frac{\delta\sqrt{n}}{\sigma} $ e n - 1 graus de liberdade. Então, temos que para o teste bilateral, a probabilidade de erro do tipo II é a probabilidadfe de T0 estar entre $ -t_{\alpha/2} $ e $ t_{\alpha/2} $, isto é

\[\beta=\Psi(t_{\alpha/2})-\Psi(-t_{\alpha/2})\]

e, para os casos unilaterais à direita e à esquerda, as probabilidades de erro do tipo II são dadas, respectivamente, por

\[\Psi(t_{\alpha}) \quad \hbox{e} \quad 1-\Psi(-t_{\alpha})\]

onde $ \Psi $ é a função distribuição acumulada da variável aleatória t não central com parâmetro de não-centralidade $ \frac{\delta\sqrt{n}}{\sigma} $ e $ n-1 $ graus de liberdade.

9. O poder do teste é calculado como 1 menos a probabilidade de erro do tipo II, ou seja, 1 - β.

Podemos também utilizar o software Action para calcular o poder (dado o tamanho amostral) ou o tamanho amostral necessário para detectar determinada diferença, com um poder previamente especificado. No Action, temos como parâmetros o tamanho da amostra (n), a diferença entre as hipóteses nula e alternativa (δ), o valor do poder (P), o nível de signi cância do teste (α) e o desvio-padrão (σ). Para calcular o poder, fornecemos os valores de n, δ, α e σ. As fórmulas utilizadas são

\[P=1-\Psi(t_{\alpha/2})+\Psi(-t_{\alpha/2})\]

se o teste é bilateral. Se o teste é unilateral à esquerda, então

\[P=\Psi(-t_{\alpha})\]

e se o teste é unilateral à direita, então

\[P = 1-\Psi(t_{\alpha})\]

onde $ \Psi $ é a função distribuição acumulada da variável t não central com  n - 1 graus de liberdade e parâmetro de não-centralidade $ \frac{\delta}{\sigma}\sqrt{n} $.

Já para o cálculo do tamanho da amostra necessária para que o teste detecte uma diferença pré-determinada entre as hipóteses nula e alternativa, com um determinado poder, basta lançarmos os valores da diferença δ, do desvio-padrão σ, do nível de signi cância α e do poder P. Com isso, o Action nos fornece o valor do tamanho amostral n. As fórmulas utilizadas para cada teste são as mesmas acima, basta resolvê-las isolando n.

Exemplo 5.2.1: Um engenheiro de produção quer testar, com base nos dados da tabela a seguir, e para um nível de significância α = 0,05, se a altura média de uma haste está próxima do valor nominal 1055 mm. Uma amostra de 20 hastes foi analisada as medidas obtidas são dadas a seguir.

903,88 1036,92 1098,04 1011,26
1020,70 915,38 1014,53 1097,79
934,52 1214,08 993,45 1120,19
860,41 1039,19 950,38 941,83
936,78 1086,98 1144,94 1066,12

clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo

Usando o software Action temos os seguintes resultados:

 

Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário.

A partir dos dados, temos que $ \overline{x} $ = 1019,37 e s = 91,37. Para α = 0,05 e n = 20 temos, pela tabela da distribuição t de Student que $ t_{\alpha/2} $ = 2,093. Com isso, rejeitamos H0 se tobs < -2,093 ou se tobs > 2,093, onde

\[t_{obs}=\frac{\overline{x}-\mu_0}{\frac{s}{\sqrt{n}}}.\]

Substituindo μ0 = 1055, $ \overline{x} $ = 1019,37, n = 20 e s = 91,37 na equação obtemos:

\[t_{obs}=\frac{1019,37-1055}{\frac{91,37}{\sqrt{20}}}=-1,74.\]

Assim, como tobs é maior que -2,093 e menor que 2,093, a hipótese nula não deve ser rejeitada. Em outras palavras, a diferença entre $ \overline{x} $=1019,37 e μ = 1055 não é significativa.

O p-valor é dado por

\[P[|t| \ \textgreater \ |t_{obs}| \ | \ H_0]=P[t \ \textgreater \ 1,74 \ | \ H_0]+P[t \ \textless \ -1,74 \ | \ H_0]=0,097\]

Como $ \overline{x} $ = 1019,37, s = 91,37, n = 20 e α = 0,05, o intervalo de confiança é dado por

\[\left(1019,37-2,093\frac{91,37}{\sqrt{20}};1019,37+2,093\frac{91,37}{\sqrt{20}}\right)=(976,60;1062,13).\]

Usando o software Action temos os seguintes resultados:

 

 

 

Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário.

Para calcular o poder do teste em detectar uma diferença δ = 35,63, utilizamos o software Action. Neste caso, temos como valores n = 20, δ = 35,63, α = 0,05, desvio-padrão $ \hat{\sigma} $ = s = 91,37 e tipo do teste bilateral. Então, lançando esses valores no Action, nos é fornecido o resultado do poder P = 0,38069. Os resultados calculados e o gráfico são dados a seguir

clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo

Poder do teste N Diferença Nível de significância Desvio Hipótese
0,380692 20 35,63 0,05 91,37 Bilateral

Suponha que neste exercício queremos calcular o tamanho da amostra necessário para garantir a rejeição da hipótese nula com probabilidade no mínimo 0,9 quando a diferença entre o valor verdadeiro da média e seu valor hipotético é no máximo 35,63, dado um desvio padrão $ \hat{\sigma} $ = s = 91,37. Para resolver este problema, utilizamos o Action, fornecendo os valores α = 0,05, δ = 35,63, σ = 91,37 e P = 0,9. Como resultado temos n = 72.

Os resultados calculados e o gráfico são dados a seguir

 

Poder do teste N Diferença Nível de significância Desvio Hipótese
0,90385 72 35,63 0,05 91,37 Bilateral

Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário.