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5.4 - Teste para taxa

Consideremos uma população e X uma variável aleatória que representa determianda característica desta população com distribuição de Poisson com parâmetro λ. Retiremos uma amostra aleatória X1, ..., Xn desta população. Cada Xi, i = 1, ..., n, tem distribuição de Poisson com parâmetro λ, isto é,

\[X_1,\ldots,X_n\sim \htox{Poisson}(\lambda).\]

Como

\[\hat{\lambda}=\sum_{i=1}^n\frac{X_i}{n}\]

é um estimador de máxima verossimilhança para λ, então, utilizando o Teorema Central do Limite, temos que

\[\hat{\lambda}=\sum_{i=1}^n\frac{X_i}{n}\sim N\left(\lambda,\frac{\lambda}{n}\right)\]

o que implica que

\[Z=\frac{\hat{\lambda}-\lambda}{\sqrt{\lambda/n}}\sim N(0,1).\]

Agora vamos ver os passos para se realizar o teste para taxa:

1. Estabelecer as hipóteses.

Fixemos H0: λ = λ0. Dependendo da informação que fornece o problema que estivermos estudando, a hipótese alternativa pode ter uma das três formas abaixo:

  • H1: λ ≠ λ0 (teste bilateral);
  • H1: λ > λ0 (teste unilateral à direita);
  • H1: λ < λ0 (teste unilateral à esquerda).

2. Fixar o nível de significância α.

3. Determinar a região crítica.

  • Se o teste é bilateral, determinamos os pontos críticos $ Z_{\alpha/2} $ e $ -Z_{\alpha/2} $ tais que

\[P[Z \ \textgreater \ Z_{\alpha/2}]+P[Z\ \textless \ -Z_{\alpha/2}]=\alpha\]

  • Se o teste é unilateral à direita, determinamos o valor crítico $ Z_{\alpha} $ tal que 

\[P[Z \ \textgreater \ Z_{\alpha}]=\alpha\]

  • Se o teste é unilateral à esquerda, determinamos o valor crítico $ -Z_{\alpha} $ tal que 

\[P[Z \ \textless \ -Z_{\alpha}]=\alpha\]

4. Calcular, sob a hipótese nula, o valor

\[Z_{obs}=\frac{\hat{\lambda}-\lambda_0}{\sqrt{\lambda_0/n}}.\]

5. Critério:

  • Teste bilateral: Se $ Z_{obs} \ \textgreater \ Z_{\alpha/2} $ ou se $ Z_{obs} \ \textless \ -Z_{\alpha/2} $, rejeita-se H0. Caso contrário, aceita-se H0.
  • Teste unilateral à direita: Se $ Z_{obs} \ \textgreater \ Z_{\alpha} $, rejeita-se H0. Caso contrário, aceita-se H0.
  • Teste unilateral à esquerda: Se $ Z_{obs} \ \textless \ -Z_{\alpha} $, rejeita-se H0. Caso contrário, aceita-se H0.

6. O p-valor é dado por

\[P-valor = P[|Z| \ \textgreater \ |Z_{obs}||H_0]=2P[Z \ \textgreater \ |Z_{obs}| |H_0]\]

no caso bilateral.

No caso unilateral à direita é determinado por

\[P-valor = P[Z \ \textgreater \ Z_{obs}| H_0]\]

e no caso unilateral à esquerda, por

\[P-valor = P[Z \ \textless \ Z_{obs} | H_0.\]

7. Como vimos na Seção 4.3 , o intevalo de confiança para o parâmetro λ é dado por

\[IC(\lambda,1-\alpha)=\left(\hat{\lambda}-Z_{\alpha/2}\sqrt{\frac{\hat{\lambda}}{n}};\hat{\lambda}+Z_{\alpha/2}\sqrt{\frac{\hat{\lambda}}{n}}\right).\]

se o teste é bilateral. Caso o teste seja unilateral à direita, então o intervalo de confiança para o parâmetro λ é dado por

\[IC(\lambda,1-\alpha)=\left(\hat{\lambda}-Z_{\alpha}\sqrt{\frac{\hat{\lambda}}{n}};\infty\right)\]

e se o teste é unilateral à esquerda, então o intervalo de confiança para o parâmetro é dado por

\[IC(\lambda,1-\alpha)=\left(0;\hat{\lambda}+Z_{\alpha}\sqrt{\frac{\hat{\lambda}}{n}}\right)\]

8. O erro do tipo II é calculado ao se aceitar H0 quando esta é falsa (H1 é verdadeira).

\[P[\hbox{Erro do tipo II}]=P[\hbox{Aceitar} H_0| H_1 \hbox{é verdadeira}]=\beta.\]

9. O poder do teste é calculado por: 1 menos a probabilidade de erro do tipo II, ou seja

\[Poder = 1-\beta.\]

Como trata-se de um teste normal, para o cálculo do poder ou do tamanho amostral, utilizamos as mesmas técnicas utilizadas para o teste para a média com variância conhecida, ou seja, no Action, se queremos calcular o poder do teste, lançamos como parâmetro o tamanho da amostra (n), a diferença (δ), o nível de significância (α) e o desvio-padrão (σ). Analogamente, podemos calcular o tamanho amostral necessário para que o teste detecte uma diferença específica com determinado poder.

Exemplo 5.4.1: O gerente de produção de uma empresa tem como objetivo avaliar a performance de uma nova metodologia de ensino para novos operários contratados. Com a metodologia antiga, tem-se uma taxa média de 4 erros por operário na primeira semana de trabalho. Em uma amostra de 25 operários foi aplicada a nova metodologia e observou-se que a média foi de 5 erros por semana. Com essas informações podemos falar que há diferença significativa entre a antiga e a nova metodologia?

clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo

1. Primeiro, vamos estabelecer as hipóteses:

\[\left\{\begin{array}{l}H_0: \lambda = 4\\H_1: \lambda \ \textless \ 4\end{array}\right.\]

uma vez que estamos querendo testar se a nova metodologia é melhor que a antiga, isto é, se ela possui uma taxa média de erros menor que a antiga.

2. Fixemos o nível de significância α = 0,05.

3. Como α = 0,05 , $ -Z_{\alpha}=-Z_{0,05}=-1,64 $.

4. Temos que $ \hat{\lambda} $ = 5 e, sob a hipótese nula, $ \lambda_0=4 $. Assim,

\[Z_{obs}=\frac{5-4}{\sqrt{4/25}}=2,5.\]

5. Conclusão: como Zobs = 2,5 > -1,64, não rejeitamos H0. Assim, não temos evidências de que a taxa média de erros da nova metodologia é menor que a antiga.


6. Vamos agora calcular o p-valor:

\[P[Z \ \textless \ Z_{obs}|H_0]=P[Z \ \textless \ 2,5|H_0]=0,9937903.\]

7. Como n=25, $ \hat{\lambda} $ = 5 e $ Z_{\alpha/2} $ = 1,64, temos que o intervalo de confiança é dado por

\[\left(0;5+1,64\sqrt{\frac{5}{25}}\right)=(0;5,735601).\]

 

Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário.

Utilizando o software Action, vamos calcular o poder do teste em detectar uma diferença δ = -1. Como o desvio padrão é σ = 2, o tamanho da amostra é n = 25 e o nível de significância é α = 0,05, temos os seguintes resultados.


O gráfico é mostrado na figura abaixo

clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo 

Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário.