Os gráficos de valores individuais com variação entre e dentro dos subgrupos são utilizados nos casos em que medimos a mesma característica da peça ou produto em diversos pontos. Neste caso, tomamos uma peça ou produto, a cada unidade de tempo (exemplo, a cada uma hora), e medimos uma característica da qualidade (exemplo, diâmetro) em diversos pontos. Assim, aplicamos:
- Um gráfico para valores individuais (média das medições de cada peça é tratada como um valor individual);
- Um gráfico para amplitudes móveis (variação entre as médias);
- Um gráfico R ou S (variação dentro de cada peça).
Quando coletamos dados em subgrupos, erros aleatórios podem não ser a única fonte de variação. Por exemplo, se coletamos 5 peças a cada hora a única variabilidade dentro do subgrupo é devida ao erro aleatório. Ao longo do tempo, o processo pode mudar ou variar tal que a próxima amostra de 5 cinco peças pode ser diferente da amostra anterior. Sob estas condições, a variação total do processo é devido ao erro aleatório e à variação entre as amostras. A variação dentro de cada amostra também pode contribuir para a variação total do processo.
Suponha que amostramos uma peça a cada hora e medimos 5 regiões desta mesma peça. Enquanto as peças podem variar hora a hora, as medidas tomadas nas 5 regiões podem também ser consistentemente diferentes em todas as peças. Esta variação devido à região não é explicada, o desvio-padrão amostral dentro não difere muito da estimativa do erro aleatório, mas na realidade a estimativa do erro aleatório é o efeito da região. Este resultado em um desvio-padrão que é muito grande causa limites de controle que são muito "largos" com a maioria dos pontos do gráfico de controle próximos à linha central.
Exemplo 4.4.1: Consideremos uma placa que compõe uma determinada embreagem. É importante verificar o balanceamento dessa placa. Através de uma máquina balanceadora determinamos um ponto de acumulação "excessivo" de massa. A partir desse ponto tomamos 3 pontos no sentido anti-horário e 4 pontos no sentido horário (conforme Figura 4.4.2), totalizando 8 pontos. A medição da espessura QD é feita no ponto a 0° e a espessura QND é feita no ponto a 180° do primeiro. O segundo ponto é tomado a partir do primeiro a 80° no sentido horário, no qual é medida a espessura QD e a espessura QND correspondente é feita no ponto a 180° deste. Analogamente medimos a 90° e 270°, assim como a 160° e 340°. Isto é realizado para cada uma das 25 peças selecionadas. Nesse caso analisamos a diferença entre as espessuras QD e QND, conforme mostra a Tabela 4.4.1.


Figura 4.4.1: Exemplo das medições em cada peça.

Figura 4.4.2: Medições da peça.
A seguir temos os dados de cada peça amostrada e os respectivos cálculos para os gráficos de controle.
Tabela 4.4.1: Dados de cada peça amostrada.
| Peças | QND | QD | Ângulo QND | Ângulo QD | QND-QD |
| 1 | 2,316 | 1,882 | 180 | 0 | -0,434 |
| 1 | 2,687 | 1,99 | 260 | 80 | -0,697 |
| 1 | 2,429 | 1,427 | 270 | 90 | -1,002 |
| 1 | 2,201 | 2,048 | 340 | 160 | -0,153 |
| 2 | 1,87 | 1,906 | 180 | 0 | 0,036 |
| 2 | 1,959 | 2,072 | 260 | 80 | 0,113 |
| 2 | 2,168 | 2,097 | 270 | 90 | -0,071 |
| 2 | 2,432 | 2,457 | 340 | 160 | 0,025 |
| 3 | 1,543 | 1,605 | 180 | 0 | 0,062 |
| 3 | 1,086 | 1,554 | 260 | 80 | 0,468 |
| 3 | 1,246 | 1,677 | 270 | 90 | 0,431 |
| 3 | 1,344 | 1,661 | 340 | 160 | 0,317 |
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| 25 | 1,356 | 1,685 | 260 | 80 | 0,329 |
| 25 | 1,374 | 2,756 | 270 | 90 | 1,382 |
| 25 | 1,388 | 2,612 | 340 | 160 | 1,224 |
clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo
Na tabela abaixo temos calculado para cada amostra sua respectiva média, amplitude móvel, desvio padrão e amplitude amostral.
| Amostras | Médias | Amplitudes Móveis | Desvio padrão | Amplitudes Amostrais |
| 1 | -0,5715 | - |
0,362918 | 0,849 |
| 2 | 0,02575 | 0,59725 | 0,075451 | 0,184 |
| 3 | 0,3195 | 0,29375 | 0,183300 | 0,406 |
| 4 | 0,08575 | 0,23375 | 0,166752 | 0,39 |
| 5 | -0,53825 | 0,624 | 0,333951 | 0,705 |
| 6 | -0,43425 | 0,104 | 0,312888 | 0,766 |
| 7 | -0,401 | 0,03325 | 0,256792 | 0,512 |
| 8 | 0,14125 | 0,54225 | 0,359694 | 0,821 |
| 9 | 0,5555 | 0,41425 | 0,170087 | 0,407 |
| 10 | 0,295 | 0,2605 | 0,324166 | 0,653 |
| 11 | 0,07625 | 0,21875 | 0,063484 | 0,135 |
| 12 | 0,05575 | 0,0205 | 0,106747 | 0,223 |
| 13 | -0,29 | 0,34575 | 0,262268 | 0,589 |
| 14 | -0,34875 | 0,05875 | 0,383962 | 0,895 |
| 15 | 0,60525 | 0,954 | 0,215803 | 0,482 |
| 16 | 0,5055 | 0,09975 | 0,191660 | 0,448 |
| 17 | 0,6235 | 0,118 | 0,120229 | 0,287 |
| 18 | 0,02475 | 0,59875 | 0,011442 | 0,027 |
| 19 | -0,1245 | 0,14925 | 0,416743 | 0,901 |
| 20 | -0,43675 | 0,31225 | 0,185922 | 0,426 |
| 21 | 0,08225 | 0,519 | 0,269447 | 0,604 |
| 22 | 0,11325 | 0,031 | 0,272834 | 0,575 |
| 23 | -0,284 | 0,39725 | 0,270475 | 0,638 |
| 24 | 0,8155 | 1,0995 | 0,307342 | 0,648 |
| 25 | 0,804 | 0,0115 | 0,580126 | 1,101 |
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Em nosso exemplo temos:
- m: número de amostras = 25
- n: tamanho das amostras = 4
Assim, utilizando as fórmulas acima obtemos
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Cálculo dos limites de controle para os gráficos I-MR-R e I-MR-S (Between-Within)
Há muitas situações onde o tamanho amostral usado para o controle do processo é n > 1. Assim, estimamos a variabilidade através da amplitude ou do desvio padrão do subgrupo de cada amostra, usamos como estimativa da variabilidade a amplitude móvel de duas (ou mais) médias de observações (amostras) sucessivas.
1. Gráfico de amplitudes móveis: (variação entre as médias das peças)
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Os limites de controle são calculados a seguir:
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Utilizando o Apêndice temos D3 = 0 e D4 = 3,267 (para n = 2: quantidade de valores para o cálculo das amplitudes móveis).
2. Gráfico para valores médios inviduais:
Os limites são dados por:
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em que
e utilizando o Apêndice temos d2 = 1,128 (para n = 2: quantidade de valores para o cálculo das amplitudes móveis).
3. Gráfico do desvio padrão:
Usaremos inicialmente os desvios padrão amostrais como Medida de Dispersão. Dessa forma, os limites de controle são dados por:
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Utilizando o Apêndice temos B3 = 0 e B4 = 2,266 (para n = 4: tamanho das amostras).
4. Gráfico da amplitude: (variação dentro de cada peça)
Usaremos as amplitudes amostrais como Medida de Dispersão. Aplicando as fórmulas obtemos:
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Utilizando o Apêndice temos D3 = 0 e D4 = 2,282 (para n = 4: tamanho das amostras).
Estimativas do desvio padrão: dentro dos subgrupos, entre os subgrupos e total
1. Para os gráficos I-MR-R.
Cálculo do desvio padrão dentro de cada subgrupo
O desvio padrão de cada subgrupo é dado por
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em que d2 = 2,059 (para n = 4).
Estimativa do desvio padrão de curto prazo
Usado para estimar o desvio padrão em gráficos de amplitudes móveis
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em que d2 = 1,128 (para n = 2).
Cálculo do desvio padrão entre os subgrupos
O desvio padrão entre os subgrupos é dado por:
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em que n = tamanho de cada subgrupo.
Cálculo do desvio padrão entre/dentro de cada subgrupo
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2. Para os gráficos I-MR-S.
Cálculo do desvio padrão dentro de cada subgrupo
O desvio padrão de cada subgrupo é dado por:
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em que c4 = 0,9213 (para n = 4).
Estimativa do desvio padrão de curto prazo
Usado para estimar o desvio padrão em gráficos de amplitudes móveis.
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em que d2 = 1,128 (para n = 2).
Cálculo do desvio padrão entre os subgrupos
O desvio padrão entre os subgrupos é dado por:
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![]() |
em que n = tamanho de cada subgrupo.
Cálculo do desvio padrão entre/dentro de cada subgrupo
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A seguir temos os resultados obtidos pelo Software Action para esse exemplo.
1. Comparativo dos gráficos de Valores Individuais, Amplitudes Móveis e Amplitudes (I-MR-R).
Figura 4.4.3: Gráficos I-MR-R.
| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||
2. Comparativo dos gráficos de Valores Individuais, Amplitudes Móveis e Desvio Padrão (I-MR-S).
Figura 4.4.4: Gráficos I-MR-S.
| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||



























