Quando há uma variação comum e constante entre os produtos podemos usar o DNOM. Essa abordagem se baseia na utilização de apenas uma carta para o controle dos produtos. Isso porque, os processos de produção para pequenos lotes de diferentes produtos podem se caracterizar facilmente em uma única carta pela marcação, na carta, das diferenças existentes entre a medição do produto e seu valor alvo.
Sua idéia consiste em codificar os dados obtidos, como desvios, a partir de um ponto de referência comum: a medida nominal N da especificação. A base para esse procedimento reside em que, sendo X a variável gerada na operação e N a sua respectiva medida nominal, uma constante, então esta codificação de dados somente afeta a média mas não a amplitude, nem a variância e nem o desvio-padrão.
Admitindo-se que o processo em estudo esteja sob o controle estatístico e que os diferentes tipos de produtos produzidos tenham iguais variâncias, se forem empregados os gráficos da média e da amplitude (
e R), os limites de controle para o gráfico da amplitude, segundo o CEP convencional, são:
![]() |
e como a codificação de dados anteriores não afeta a dispersão das medidas, temos
![]() |
No gráfico da média, como já visto anteriormente, os limites de controle do CEP convencional são
![]() |
ou
![]() |
Subtraindo-se N de todos os termos da desigualdade anterior temos
![]() |
e, fazendo-se
![]() |
segue que
![]() |
ou ainda,
![]() |
resultando em
![]() |
Assim, à medida que as amostras forem sendo coletadas, suas medidas individuais serão codificadas, conforme (equação 6.1.1), e os valores de
e R serão marcados nos seus respectivos gráficos de controle.
As seguintes etapas devem ser executadas para a correta utilização desta técnica em gráficos de controle da média e da amplitude (
e R):
- Determinar a medida nominal N do tipo do produto em produção, a partir da sua especificação de engenharia;
- Coletar amostras de tamanho n (n > 1) constante;
- Calcular a média
e a amplitude R das amostras; - Codificar as médias
subtraindo de cada uma delas a medida nominal N (equação 6.1.2); - Repetir as etapas de 1 a 5, segundo a frequência de coleta de amostras pré-estabelecida, enquanto o mesmo produto estiver sendo produzido;
- Quando o equipamento for ajustado para a produção de outro tipo de produto a única mudança no procedimento será a determinação da nova medida nominal. Os valores da média codificada
e da amplitude R do novo produto continuam sendo marcados no mesmo gráfico; - Quando houver um número máximo e suficente de amostras calcular os limites de controle por meio das fórmulas convencionais, porém empregando as médias codificadas.
Exemplo 6.1.1: Na usinagem bruta de diâmetros externos (eixos) em torno mecânico foram retiradas 25 amostras, cada uma constituída de 3 peças, obtendo-se os valores da Tabela 6.1.1.
Tabela 6.1.1: Diâmetros externos (eixos) em torno mecânico.
| Amostra | N | Peça | P1 | P2 | P3 | ![]() |
R | ![]() |
| 1 | 220 | 1 | 219,7838 | 220,0287 | 220,0922 | 219,9682 | 0,308384 | -0,0318 |
| 2 | 220 | 1 | 219,9046 | 220,1229 | 220,2368 | 220,0881 | 0,332242 | 0,088082 |
| 3 | 220 | 1 | 219,8345 | 220,0862 | 219,9268 | 219,9492 | 0,251692 | -0,05079 |
| 4 | 220 | 1 | 219,7302 | 220,001 | 220,0357 | 219,9223 | 0,305502 | -0,07769 |
| 5 | 220 | 1 | 220,1644 | 220,3151 | 219,9806 | 220,1534 | 0,33448 | 0,153371 |
| 6 | 260 | 2 | 259,8635 | 260,1847 | 259,867 | 259,9718 | 0,321234 | -0,02825 |
| 7 | 260 | 2 | 259,7917 | 259,9042 | 259,908 | 259,868 | 0,116253 | -0,13203 |
| 8 | 260 | 2 | 259,8264 | 259,8535 | 259,6465 | 259,7755 | 0,20696 | -0,22452 |
| 9 | 260 | 2 | 259,6421 | 260,0869 | 259,9488 | 259,8926 | 0,444791 | -0,10744 |
| 10 | 260 | 2 | 259,8945 | 260,0154 | 260,3685 | 260,0928 | 0,474033 | 0,092769 |
| 11 | 320 | 3 | 319,7366 | 319,5236 | 319,7053 | 319,6552 | 0,213026 | -0,34481 |
| 12 | 320 | 3 | 319,8834 | 319,415 | 319,8163 | 319,7049 | 0,468446 | -0,29508 |
| 13 | 320 | 3 | 320,2431 | 320,1935 | 319,9893 | 320,142 | 0,253778 | 0,141982 |
| 14 | 320 | 3 | 319,9805 | 320,0828 | 320,0418 | 320,035 | 0,102364 | 0,035019 |
| 15 | 320 | 3 | 320,4944 | 320,4552 | 320,0477 | 320,3324 | 0,446676 | 0,332414 |
| 16 | 240 | 4 | 239,8076 | 239,7787 | 240,2064 | 239,9309 | 0,427712 | -0,06909 |
| 17 | 240 | 4 | 240,1663 | 240,1888 | 240,2023 | 240,1858 | 0,036012 | 0,185776 |
| 18 | 240 | 4 | 240,1662 | 240,1382 | 240,1141 | 240,1395 | 0,052086 | 0,139503 |
| 19 | 240 | 4 | 240,017 | 239,9212 | 240,0397 | 239,9926 | 0,118577 | -0,00737 |
| 20 | 240 | 4 | 240,2081 | 240,0484 | 239,9119 | 240,0562 | 0,296133 | 0,056153 |
| 21 | 300 | 5 | 300,0479 | 300,1325 | 299,9955 | 300,0587 | 0,137019 | 0,058656 |
| 22 | 300 | 5 | 300,2815 | 299,9451 | 300,0365 | 300,0877 | 0,336475 | 0,087714 |
| 23 | 300 | 5 | 299,7173 | 300,383 | 300,4608 | 300,187 | 0,743451 | 0,187028 |
| 24 | 300 | 5 | 300,0009 | 300,0487 | 300,0038 | 300,0178 | 0,047797 | 0,017781 |
| 25 | 300 | 5 | 299,5822 | 300,4351 | 299,7919 | 299,9364 | 0,852914 | -0,06362 |
| Total | 7,628039 | 0,143761 | ||||||
clique aqui para efetuar o download dos dados utilizados nesse exemplo
Serão empregados os gráficos da média codificada
e da amplitude R, portanto:
![]() |
Utilizando o Apêndice temos, para n = 3 (tamanho de cada amostra), D4 = 2,574; D3 = 0 e A2 = 1,023.
Dessa forma, os limites de controle para o gráfico da amplitude R são dados por:
![]() |
![]() |
![]() |
Os limites de controle para a média codificada
ou seja, os limites de controle para o gráfico
são dados por:
![]() |
![]() |
![]() |
A segui temos os resultados obtidos pelo Software Action para esse exemplo.
A Figura 6.1.1 apresenta estes gráficos de controle, com os pontos marcados. Percebe-se que há causas especiais atuando em algumas amostras, com relação à média codificada.

Figura 6.1.1: Gráficos
e amplitude.
| Para entender como executar essa função do Software Action, você pode consultar o manual do usuário. | |||

















