2 - Gráficos ou Cartas de Controle

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Carta de controle é um tipo de gráfico utilizado para o acompanhamento de um processo. Este gráfico determina estatisticamente uma faixa denominada limites de controle que é limitada pela linha superior (limite superior de controle) e uma linha inferior (limite inferior de controle), além de uma linha média. O objetivo é verificar, por meio do gráfico, se o processo está sob controle, isto é, isento de causas especiais. 

 

Gráficos de Controle

Para distinguir as variações do processo que anteriormente chamamos de comuns e especiais, e detectar as especiais, foi desenvolvida uma ferramenta que, desde então, denominamos Cartas ou Gráficos de Controle.

As funções destes gráficos são:

  1. “Mostrar evidências de que um processo esteja operando em estado de controle estatístico e dar sinais de presença de causas especiais de variação para que medidas corretivas apropriadas sejam aplicadas”.
  2. “Manter o estado de controle estatístico estendendo a função dos limites de controle como base de decisões”.
  3. “Apresentar informações para que sejam tomadas ações gerenciais de melhoria dos processos”.

 

Formas de aplicação

A forma mais usual dos gráficos de controle envolve registros cronológicos regulares (dia-a-dia, hora-a-hora, etc) de uma ou mais características (por exemplo, média, amplitude, proporção, etc) calculadas em amostras obtidas de medições em fases apropriadas do processo. Estes valores são dispostos, pela sua ordem, em um gráfico que possui uma linha central e dois limites, denominados “limites de controle” (ver Figura 2.1).

Os gráficos de controle fornecem assim uma regra de decisão muito simples: pontos dispostos fora dos limites de controle indicam que o processo está “fora de controle”. Se todos os pontos dispostos estão dentro dos limites e dispostos de forma aleatória, consideramos que “não existem evidências de que o processo esteja fora de controle".

Podemos observar no primeiro gráfico que os dados estão dispostos entre os limites do intervalo, exceto uma observação. Observe também que há indícios de falta de aleatoriedade no gráfico $ \overline{X} $ (os últimos 8 pontos estão abaixo da linha central), entretanto, o gráfico da Amplitude apresenta um comportamento supostamente aleatório.

Figura 2.1: Modelo de gráficos de controle.

 

Benefícios dos gráficos de controle

Os gráficos de controle, ao distinguir as causas comuns das causas especiais de variação e indicar se o problema é local ou merece atenção gerencial, evita frustrações e o custo de erros no direcionamento da solução de problemas.

Ao melhorar o processo os gráficos de controle produzem:

  1. Um aumento na porcentagem de produtos capazes de satisfazer aos requisitos do cliente.
  2. Uma diminuição do retrabalho e sucata, diminuindo, consequentemente, os custos de fabricação.
  3. Aumenta a probabilidade geral de produtos aceitáveis.
  4. Informações para melhoria do processo.

Para que possamos atingir os benefícios da aplicação do CEP, a organização precisa se preparar:

  • Filosofia da gerência

As decisões da gerência da empresa podem afetar diretamente os programas de CEP em:

  1. Focar a organização da empresa na diminuição da variação;
  2. Estabelecer um ambiente aberto que minimize as competições internas e de suporte para o trabalho em equipe;
  3. Dar suporte e favorecer os treinamentos necessários;
  4. Aplicar o CEP para promover um melhor entendimento das variações da engenharia de processo;
  5. Aplicar o CEP para gerenciar os dados e usar a informação obtida nas decisões do dia a dia.
  • Filosofia da engenharia

Como a engenharia usa a informação para poder planejar o desenvolvimento que podem e irão ter influência no nível de variação do produto final, apresentamos algumas maneiras de como a engenharia pode mostrar o uso efetivo do CEP:

  1. Focar a organização na redução da variação através do planejamento do processo, ou seja, número de mudanças no design, planejamento da manufatura e montagem;
  2. Estabelecer um ambiente aberto que minimize a competição interna e prevaleça o trabalho em equipe;
  3. Dar suporte para que os funcionários envolvidos no processo façam treinamentos adequados;
  4. Aplicar o CEP para promover um melhor entendimento das variações da engenharia de processo;
  5. Exigir um melhor entendimento da variação e estabilidade em relação aos dados que são usados no desenvolvimento do projeto;
  6. Favorecer as mudanças na engenharia do produto que foram fruto das análises do CEP que podem ajudar na diminuição da variação.
  • Manufatura

Como a manufatura desenvolve e opera máquinas e os sistemas de transferência que
podem impactar o nível e o tipo de variação no produto final.

  1. Focar a organização da manufatura na redução da variação, isto é, controlar o número de diferentes processos, o impacto dos processos multi ferramentais, ferramentas e máquinas de manutenção, etc;
  2. Estabelecer um ambiente de engenharia aberto que possa minimizar a competição interna e dar suporte para o trabalho de equipe;
  3. Incentivar, manter e treinar os funcionários no uso do CEP;
  4. Aplicar o CEP para entender a variação e estabilidade dos dados que serão usados no desenvolvimento do processo;
  5. Usar as análises do CEP para promover melhorias no processo;
  6. Não passar a responsabilidade pelas cartas de controle para os operadores até que o processo esteja sob controle. A transferência de responsabilidade do processo só deve ocorrer quando o processo estiver sob controle.
  • Controle da qualidade

O controle da qualidade é um componente crítico que provê suporte para as melhorias sugeridas pelo uso do CEP.

  1. Dar suporte ao treinamento para manutenção do CEP;
  2. Focar as pessoas na aplicação do CEP;
  3. Ajudar na identificação das causas de variação do processo;
  4. Assegurar que o uso correto das informações provenientes do programa de CEP estejam sendo corretamente utilizadas.
  • Produção

As pessoas envolvidas na produção estão diretamente relacionadas ao processo e a efetividade da variação do processo. Elas devem:

  1. Estar treinadas na aplicação do programa de CEP para resolver problemas;
  2. Ter entendimento da variação e estabilidade em relação aos dados e as informações que estarão sendo usadas no programa de CEP;
  3. Estar alertas! A comunicação entre a equipe é importante quando a situação muda;
  4. Atualizar, manter e disponibilizar as cartas de controle com a equipe responsável;
  5. Aprender com as informações coletadas do processo.

A seguir, apresentamos os gráficos mais simples e utilizados nas organizações.

Tipos de gráficos de controle

Existem dois tipos básicos de gráficos de Controle:

  • Gráficos por variáveis:

    • Gráficos $ \overline{X} $ e R  (média e amplitude)
    • Gráficos $ \overline{X} $ e S  (média e desvio padrão)
    • Gráficos $ \widetilde{X} $ e R  (mediana e amplitude)
    • Gráficos para $ IMR $ ou $ XMR $ Valores Individuais (X ou I) e Amplitude Móvel (MR)
  • Gráficos por atributos:

    • Gráfico p  (proporções não conforme)
    • Gráfico np  (unidades não conforme)
    • Gráfico c  (número de não conformidade por unidade)
    • Gráfico u  (taxa de não conformidade por unidade)

 

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